Anistia critica operação policial que matou cinegrafista e mais quatro no Rio

Para a entidade, esse tipo de operação "põe em risco a vida de pessoas da comunidade e também de jornalistas"

BBC Brasil |

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A Anistia Internacional criticou a operação da Polícia Militar na Favela Antares, no bairro de Santa Cruz, zona oeste do Rio, que provocou a morte de pelo menos cinco pessoas, entre ela o cinegrafista da TV Bandeirantes , Gelson Domingos da Silva, de 46 anos. A PM afirma que missão dos policiais era checar informações de que líderes do tráfico fortemente armados estavam mantendo reuniões na favela.

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Nove pessoas foram presas na ação que terminou na manhã desta segunda-feira. Segundo a polícia, outras quatro pessoas – todas elas supostamente ligadas ao grupo de traficantes – morreram, além do cinegrafista. "Neste caso particular, o que aconteceu foi uma tragédia, mas isso sublinha um ponto mais amplo que a Anistia vem fazendo há anos", disse à BBC Brasil o representante da entidade para assuntos relacionados ao Brasil, Patrick Wilcken.

"A Anistia critica essas operações militarizadas no Rio, onde a polícia invade uma comunidade. Isso põe em risco a vida de pessoas da comunidade e também de jornalistas". "É preciso questionar esse tipo de estratégia. O Rio de Janeiro já mostrou ao mundo com as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadoras) que existem alternativas no combate à violência em algumas comunidades".

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Reprodução
Gelson Domingos fazia a cobertura jornalística da operação policial quando foi baleado
Wilcken ressaltou que o tipo de operação como a que foi conduzida no domingo provoca violência que se acumula desproporcionalmente sobre as comunidades mais pobres. Sobre a morte do cinegrafista Gelson Domingos da Silva, o representante da Anistia Internacional disse que esse tipo de cobertura jornalística é uma atividade "intrinsecamente perigosa".

Silva foi alvejado com um tiro de fuzil enquanto filmava um tiroteio entre a polícia e os traficantes. Ele estava usando um colete à prova de balas, no entanto o equipamento não era resistente a tiros de fuzil.
O representante da Anistia afirmou não conhecer todos os detalhes sobre a morte do cinegrafista, mas ressaltou que cabe às empresas jornalísticas fazerem tudo que puderem para proteger os seus funcionários.

Em nota, o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro classificou o tipo de colete à prova de balas fornecido aos jornalistas em operações de risco de "pífio". A entidade também cobrou que o Grupo Bandeirantes auxilie financeiramente a família do cinegrafista.

A Bandeirantes divulgou uma nota em resposta ao sindicato na qual afirma que o colete usado por seus repórteres é o "III-A, o modelo de maior capacidade de proteção liberado pelas Forças Armadas para utilização por civis". A emissora também disse que profissionais que atuam em situações de risco possuem um seguro diferenciado.

A operação na Favela Antares terminou com cinco mortos e nove pessoas presas. Foram apreendidos um fuzil AR-15, três pistolas, cinco rádios, drogas e 10 motos. Segundo a PM, entre os presos estão o gerente do tráfico local, Renato José Soares, conhecido como "BBC", e o seu braço-direito, Leandro Ferreira de Araújo, conhecido como "China".

Veja imagens da operação policial na Favela de Antares:

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