Anísio e Capitão Guimarães são condenados a 48 anos de prisão

Quadrilha de bicheiros tinha modelo mafioso, diz Justiça. Dois delegados federais também foram condenados

iG Rio de Janeiro |

A Justiça Federal do Rio de Janeiro condenou na útlima segunda-feira (12) 24 pessoas acusadas de integrar uma quadrilha que explorava o jogo ilegal (bingos, máquinas caça-níqueis e jogo do bicho) no Estado. A sentença é referente à Operação Hurricane, deflagrada pela PF (Polícia Federal) em 2007. A decisão foi em 1ª Instância e ainda cabe recurso.

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Nesta terça-feira (13), a PF deflagrou uma operação para cumprir dez mandados de prisão contra condenados e oito foram cumpridos, entre eles, dos contraventores Anísio Abrahão David, patrono da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, ex-presidente da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) e Antônio Petrus Kalil, o Turcão.

Pela sentença da 6ª Vara Criminal, Anísio, Capitão Guimarães e Turcão foram condenados a 48 anos, oito meses e 15 dias de prisão pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa. Anísio está preso sob custódia em um hospital da zona sul carioca. Turcão cumprirá prisão domiciliar e Capitão Guimarães será levado para um presídio.

Foram condenados também, pelo crime de corrupção passiva e formação de quadrilha, os delegados federais Carlos Pereira da Silva e Susi Pinheiro Dias de Mattos. Carlos pegou dez anos e seis meses de detenção. Já Susi, foi condenada a nove anos e quatro meses de prisão.

Modelo mafioso

Segundo a sentença da juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, a quadrilha "não era uma quadrilha qualquer. Trata-se, como se percebe claramente, do mais evidente exemplo de adaptação do modelo mafioso em terras brasileiras. estamos diante de verdadeiro aparelho organizado de poder, de enormes dimensões, fortemente hierarquizado, que conta com uma clara divisão de trabalho entre suas centenas de membros, compartimentalização traduzida, como se viu, na absoluta ausência de contato da cúpula com o terceiro estrato da quadrilha e sua base-, íntima conexão com o Estado - através da corrupção de centenas de agentes públicos e o financiamento de campanhas políticas-, e a exploração de mercados ilícitos, praticada por meio de controle territorial".

De acordo com a magistrada, "o paradigma de organização criminosa desvendado se aproxima, como se do paradigma mafioso, na medida em que se identificou uma hierarquia rígida e até mesmo uma comissão dirigente, que resolve os conflitos do grupo como se um tribunal fosse, o chamado Clube
Barão Drummond. E os julgadores deste tribunal eram Anísio, Aílton Guimarães e Antônio Petrus Kalil".

A sentença informou ainda que "a modernização da própria criminalidade organizada impôs a membros da quadrilha estruturação através de empresas, muito embora em sua maioria estejam elas em nome do
segundo escalão da quadrilha ou de laranjas. A quadrilha também se dedicava a inúmeros negócios lícitos, que vão da exploração de restaurantes, até hotéis e academias de ginástica".

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