`Amor, me liga sempre que puder¿, pede mulher de policial por SMS

Parentes de PMs recorrem à mensagem de celular para ter notícias dos agentes

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

Depois de ser liberado da escolta armada na rua Itararé, dentro da favela Vila Cruzeiro, zona norte do Rio, o tenente C., 33 anos, lia para colegas de farda as mensagens de texto que havia recebido da mulher. “Amor, me liga sempre que puder, estou preocupada demais. Te amo muito, não esquece disso”, dizia a mensagem.

O tenente disse ao iG que está casado há dois anos, e há dois meses e meio concretizou o sonho de ser pai do primeiro filho do casal. “Ainda não consegui ligar para a minha mulher. Estou me acalmando um pouco antes”.

Policial do Batalhão de Choque da PM, o tenente carregava o fuzil calibre 556 e uma pistola .40. “Hoje, aqui está todo mundo por todo mundo. Tiro rolou solto, batia toda hora no chão na nossa direção”, contou. “A gente é treinado para manter a calma, mas a adrenalina é grande”.

O capitão da tropa, A., 31 anos, também entrou na favela e trocou tiros frente a frente com traficantes. Ele relata que o confronto começou depois que um taxista contou para os policiais que um grupo de criminosos estava seguindo para o asfalto.

Ele disse que imediatamente seu grupo seguiu para a favela, apontada como o quartel general de uma facção criminosa do Rio, com o auxílio do veículo blindado da PM, a fim de impedir o ataque dos bandidos. “Estavam todos de fuzil", conta o policial.

O grupo que enfrentamos tinha pelo menos uns dez criminosos. Nessas horas, eles atiram para todo os lados, não querem saber se vão atingir moradores ou a gente”, conta o capitão que entrou no confronto ao lado de cinco subordinados.

Ao deixar a favela, ele também havia recebido mensagens da mulher. “Ela passou cinco somente nesta manhã. Vou ver as novas mensagens agora e ligar para dizer que está tudo bem”.

Depois de telefonar para casa, o capitão reuniu a tropa e voltou para favela, de onde não tem prazo para sair.

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