Alarme falso, medo real

Incêndio acidental na zona sul do Rio mostra a apreensão dos cariocas nas ruas diante das últimas ações criminosas

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

O incêndio em um carro na manhã desta terça-feira (23) foi o suficiente para levar pânico aos moradores da Rua Paulo VI, no Flamengo, zona sul do Rio. Por volta das 10h, o proprietário do Pointer GTI placa CCE 7672, de São Paulo, tentava ligar o veículo quando o carro pegou fogo. Em poucos minutos, o automóvel ficou destruído. Segundo PMs, tudo não passou de um incidente, resultado de um curto-circuito.

Mesmo assim, testemunhas contaram que logo após o início das chamas carros da polícia chegaram ao local. “Os policiais fecharam os dois lados da rua e desceram das viaturas armados até os dentes, foi um corre-corre danado”, relatou o porteiro de um prédio localizado bem em frente à área onde o automóvel pegou fogo.

Moradores explicaram ao iG os motivos do pânico: além de recentes episódios de arrastões e carros incendiados na cidade, dois veículos foram queimados na Rua Paulo VI há cerca de 15 dias. “A gente viu o carro em chamas e a primeira coisa que veio à cabeça foi ataque de bandidos. Dá um medo danado”, disse um camelô que trabalha na saída da estação de metrô do Flamengo, a cerca de 15 metros de onde o carro pegou fogo.

“Não aguento essa pressão, vou andar de metrô”, diz estudante

“Estaciono aqui todos os dias. Hoje, levei um susto. A rua estava vazia, isso nunca acontece, as vagas aqui são disputadas no grito”, contou uma estudante de fisioterapia, cuja faculdade fica próxima à Rua Paulo VI. “Não aguento essa pressão, a partir de amanhã vou andar de metrô”, acrescentou a jovem, que mora no Grajaú, zona norte da cidade.

Enquanto a estudante dava partida em seu

veículo, uma moradora do Morro Azul, cuja entrada fica bem no meio da Rua Paulo VI, dava sinais de desespero. “Meu Deus, teve carro queimado aqui? Vamos embora, rápido”, dizia a um sobrinho de 24 anos, que deixava a favela onde fora visitar a mãe acompanhado da filha de 3 anos.

Ao ser informada de que o carro queimado na via não tinha sido alvo de ação criminosa, de acordo com o que informou policiais militares, ela se acalmou. Mesmo assim, disse que está com receio de circular na região. “Tenho 49 anos e moro na favela há 25. O morro até que é calmo, ainda mais agora que tem UPP. Mas essa rua ta me dando medo, há duas semanas andaram queimando carros aqui. À noite eu não saio mais”, ela conta.

“O cidadão não tem tranquilidade”, diz vítima de carro furtado

Apesar de o incêndio ter sido controlado minutos depois de as chamas tomarem o veículo, o burburinho provocado pelo episódio seguiu ao longo de todo o dia. A apreensão de alguns moradores e de pedestres voltou a crescer quando, por volta das 13h, o engenheiro civil Roberto Greves, 64, teve o carro furtado na esquina da Rua Paulo VI com a Rua Paissandu, uma das mais movimentadas do bairro.

“Fui deixar meu filho na escola, não levei meia hora. E nesse intervalo de tempo tive meu carro furtado, em plena luz do dia, numa das ruas mais movimentadas do Flamengo, e nas barbas da polícia (que por conta da UPP fica baseada na entrada do Morro Azul). O cidadão não tem tranquilidade para mais nada”, desabafou o engenheiro, a cerca de 15 metros da escola onde seu filho estuda.

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