Ala de hospital da UFRJ é implodida na Ilha do Fundão

Prédio que pertencia à universidade nunca foi utilizado. Novo edifício será construído no local

Bruna Fantti, iG Rio de Janeiro |

Vinte segundos e 900 quilos de dinamite foram o suficiente para reduzir a 120 mil toneladas de entulho o prédio sul do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, na Ilha do Fundão (zona norte do Rio) – um gigante de 13 andares, construído em 1950, que nunca foi utilizado.

O prédio, localizado no principal campus da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), ocupava uma área de 110 mil m² e era vizinho à ala onde de fato funciona o hospital universitário.

A implosão ocorreu às 7h05 da manhã deste domingo (19), sem imprevistos. “Foi exatamente como esperávamos. Não houve lançamento de fragmentos de concretos para outras áreas, somente muito poeira”, disse o engenheiro responsável pela ação, Fábio Bruno.

nullA empresa contratada também implodira o edifício Palace II e o Presídio Frei Caneca e vai fazer a limpeza do entulho acumulado, que forma uma extensa coluna de 5 metros de altura.

Coube ao reitor da universidade, Aluízio Teixeira, ativar o detonador. “Esta é uma nova fase para a UFRJ . A parte do hospital implodida era um grande fantasma. Como não foi utilizada por falta de verba para colocar vidros, por exemplo, a estrutura se corrompeu. Será construído um hospital moderno no local”, disse Teixeira.

Por medida de segurança, cerca de 400 pacientes do hospital foram transferidos para outras unidades federais. As atividades ambulatórias serão retomadas no dia três de janeiro.

A Linha Vermelha, que liga a Baixada Fluminense ao Centro do Rio, foi fechada por cerca de duas horas e meia . Além de bombeiros, policiais militares e agentes do esquadão antibombas e da Defesa Civil, também era grande o número de curiosos que chegavam ao local para assistir à destruição do prédio.

Os estudantes de filosofia Érica Ramos e Carlos Rodrigues, ambos de 22 anos, que moram no alojamento universitário, foram acompanhar a demolição. “É uma pena que um prédio construído para ser o maior hospital da América Latina nunca tenha sido utilizado. É jogar dinheiro fora”, disse Érica.

 Depois da implosão, o casal caminhou sobre o entulho e guardou pedaços de concreto em uma sacola. “Isso pode valer uma fortuna no futuro”, brincou Rodrigues, sujo de poeira.

A imensa cortina de poeira não atingiu só quem estava perto da linha de isolamento de 200 metros do hospital. Carros estacionados no campus da Universidade também ficaram totalmente encobertos pelo pó da demolição.

Uma das cozinheiras do restaurante universitário, Leila Cardoso, que jogava água em alguns automóveis de colegas de trabalho, reclamou que os animais do campus não foram recolhidos. “Na hora da implosão foram uns cinco cachorros correndo com o rabo entre as pernas. Os patos estão supernervosos. Sobrou para mim acalmá-los”, afirmou, dizendo que cuida dos bichos há cinco anos.

A retirada do concreto vai durar de quatro a cinco meses. Após esse período, será aberta uma licitação para a construção de um novo prédio vizinho ao hospital. As obras estão previstas para 2011 e serão financiadas pelo governo federal. 

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