Agentes fazem varredura em delegacia

Chefe da Polícia Civil nega que ação seja represália à operação Guilhotina

Bruna Fantti e Daniel Gonçalves, iG Rio de Janeiro |

Futurapress
Prédio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas fechado na noite de domingo
O chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Allan Turnowski, determinou que agentes da Corregedoria Interna (Coinpol) da instituição façam buscas na sede da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas), nesta segunda-feira (14), à procura de indícios de irregularidades.

A varredura ocorre dois dias após ter sido deflagrada a Operação Guilhotina , da Polícia Federal. Apesar de ter sido executada por agentes federais, parte das investigações que culminaram com a expedição de 45 mandados de prisão contra policiais militares e civis (incluindo um delegado de confiança de Turnowski) foi realizada pela Draco.

Turnowski, no entanto, negou que as buscas na delegacia sejam um represália. De acordo com a assessoria da Polícia Civil, a varredura se deve a uma denúncia feita durante esse final de semana por empresários.

Eles teriam denunciado o arquivamento de investigações sobre possíveis fraudes em licitações abertas pela Prefeitura de Rio das Ostras, município da Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Na noite deste domingo (13), agentes da Polícia Civil já haviam fechado as portas da Draco para evitar que policiais da unidade transitassem pelo local.

Em nota, a Procuradoria Geral de Rio das Ostras negou o envolvimento do município no suposto esquema de corrupção. O órgão disse estranhar o fato de a cidade de Rio das Ostras ter sido citada pelo delegado Allan Turnovski já que "sempre respondeu oficialmente todas as notificações feitas pela Draco".

Titular ajudou a escrever livro "Elite da Tropa 2" e já prendeu mais de 700 milicianos

Claudio Ferraz, policial de confiança da cúpula da segurança pública fluminense, era cotado para ser o próximo chefe da Polícia Civil, substituindo Turrnowski. Na semana passada, Ferraz foi nomeado para o cargo de subsecretário da Contra Inteligência e a Draco saiu da subordinação da Polícia Civil para ficar ligada diretamente à Secretaria Estadual de Segurança Pública.

Em entrevista ao telejornal RJTV, na tarde desta segunda-feira, Turnowski afirmou que se a Draco estivesse subordinada à Polícia Civil, Ferraz já estaria fora do cargo. "Nenhum subordinado meu tem carta-branca para atuar. Se a Draco estivesse sob minha subordinação, ele [Cláudio Ferraz] já estaria exonerado. Não tenho nada pessoal contra ele, mas além da produtividade tem que ter lisura", disse.

No comando de Ferraz, a especializada já chegou a prender 700 homens apontados por envolvimento com milícias. O delegado também foi um dos autores do livro "Elite da Tropa 2", que originou o filme "Tropa de Elite 2". O longa tem como um dos temas a ação de milícias formadas por policiais no Estado do Rio de Janeiro

O afastamento de Ferraz seria outro golpe na estrutura da Polícia Civil. Isso porque, na Operação Guilhotina, além de 11 policiais civis presos, houve a prisão do ex-titular da Drae (Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos) e ex-subchefe operacional da Polícia Civil, delegado Carlos Oliveira.

Turnowski afirmou que o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, é livre para decidir sobre sua saída do cargo. "Me sinto confortável para continuar no comando da Polícia Civil, mas a decisão cabe ao Beltrame", disse em entrevista ao mesmo telejornal.

Armas e inquéritos paralisados são encontrados na Draco

Ferraz acompanhou durante toda a manhã as buscas comandadas pelo corregedor interno da Polícia Civil, delegado Gilson Emiliano Soares. Nas buscas foram encontradas armas que não pertenciam a policiais e nem faziam parte de apreensões. Elas estavam na especializada sem registro.

Além disso, foram encontrados inquéritos parados. Eles continham a assinatura de Ferraz e do investigador responsável por cada caso - o que aponta que havia o conhecimento formal da investigação pela delegacia. No entanto, eles estavam sem mudanças há mais de dois anos.

Esses inquéritos são os mesmos denunciados no final de semana por empresários que, segundo Turnowski, desencadeou a ação de fechar a delegacia para procurar irregularidades.

Na porta da especializada, Ferraz falou com repórteres e se disse surpreso com a ação. "Tomei conhecimento dessas buscas através da imprensa. Não sei o que está acontecendo, preciso esperar os desdobramentos para emitir uma opinião". E emendou sobre a varredura: "É um constrangimento" .

Em relação à declaração de Turnowski sobre sua exoneração, Ferraz foi enfático. "É a opinião dele. Se existe alguma rivalidade eu desconheço", afirmou.

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