Advogado que matou namorado de ex-mulher trabalhou na Arquidiocese do Rio

Suspeito disse que queria impedir que ex-companheira levasse seu filho para o exterior

iG Rio de Janeiro |

Responsável pelo assassinato do namorado de sua ex-mulher , o advogado Antônio Passos Costa de Oliveira, de 61 anos, trabalhou por 24 anos na Arquidiocese do Rio de Janeiro exercendo a função de coordenador do departamento jurídico. Entre suas ações realizadas nesse período, estão aquelas que pediram a proibição do uso de imagens religiosas em desfiles de escolas de samba.

Agência O Globo
O advogado Antônio Passos defendeu a Arquidiocese do Rio por mais de 20 anos
Em 1989, a Beija-Flor de Nilópolis , atual campeã do carnaval carioca, tentou levar uma estátua de Jesus Cristo mendigo para a Marquês de Sapucaí. A imagem integrava o enredo “Ratos e urubus, larguem a minha fantasia”, de autoria de Joãozinho Trinta.

O advogado conseguiu barrar a alegoria através de uma ação na Justiça. Em protesto ao veto, a escola resolveu cobrir a escultura de preto com os dizeres "mesmo proibido, olhai por nós".

Episódio semelhante ocorreu mais de dez anos depois, em 2000. Na ocasião, a escola de samba Unidos da Tijuca tentou apresentar em seu desfile uma imagem de Nossa Senhora da Boa Esperança. A atitude foi novamente vetada. Em 2002, o advogado deixou a Arquidiocese do Rio. O motivo de seu desligamento não foi divulgado.

Assassinato

Inconformado com o divórcio, Antônio Passos assassinou na manhã de terça-feira (2) o namorado de sua ex-mulher, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. O crime aconteceu a poucos metros da Divisão de Homicídios da Polícia Civil e os agentes da delegacia prenderam o advogado minutos após ele efetuar os disparos.

De acordo com a polícia, Antônio Passos estava escondido em frente ao prédio de sua ex-mulher, a advogada Regina Márcia D´Ávila, de 48. Por volta das 7h20, ela deixava a garagem de carro acompanhada pelo namorado, o português Rolando Emanuel Morgado Palma, de 49, e o seu filho de 12 anos, fruto do casamento com Antônio.

Armado com uma pistola, o advogado abordou o veículo, discutiu com o casal e atirou nos dois. Rolando morreu na hora, atingido por dois tiros, um no pescoço e outro na perna. Regina foi ferida de raspão na cabeça e sobreviveu. O filho dela não sofreu ferimentos.

Agência O Globo
Rolando tinha passagem aérea de retorno para Portugal marcada para dia 24 de agosto
Ameaças

Antônio e Regina foram casados por aproximadamente 15 anos e estavam divorciados há dois. No período em que viveram juntos, ela teria sido vítima de uma tentativa de homicídio no sítio que o casal possuía. A agressão, no entanto, não foi relatada à polícia.

Em abril deste ano, Regina havia relatado à 16ª DP (Barra da Tijuca) que vinha recebendo ameaças do ex-marido. No mês seguinte, no entanto, ela retirou a queixa.

Aos policiais, o advogado negou que o crime foi passional e afirmou que não encontrava o filho há três dias. Segundo ele, a motivação foi o temor de que a ex-companheira levasse o menino para Portugal. A informação foi desmentida por Regina. Em depoimento, ela disse que não tinha planos para sair do País.

O romance dela com o namorado português teve início no final de 2009. Eles se conheceram pela internet. O Consulado de Portugal foi informado sobre o assassinato pela Polícia Civil. Escritor e fotógrafo, Rolando estava no Brasil desde o dia 16 julho e tinha passagem aérea de retorno marcada para o dia 24 de agosto.

*com informações da Agência Estado

    Leia tudo sobre: assassinatocrime passional

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG