Advogado diz que há documentos que provam ameaças à juíza que foi morta

Segundo criminalista, Patrícia Acioli enviou diversos ofícios ao TJ-RJ relatando os riscos que corria

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Patrícia Acioli tinha 47 anos e foi morta quando chegava em sua casa, em Niterói
O advogado contratado pela família da juíza Patrícia Acioli, assassinada na última quinta-feira (11) com 21 tiros no momento em que chegava em sua casa, em Niterói, no Rio de Janeiro, revelou que documentos encontrados no gabinete da magistrada comprovam as ameaças de morte recebidas por ela nos últimos anos.

De acordo com o criminalista Técio Lins e Silva, a juíza enviou diversos ofícios ao Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) relatando os riscos que corria.

 "As autoridades sabiam (das ameaças), a polícia sabia e a divisão de segurança do Tribunal de Justiça sabia. Tudo foi comunicado pela Patrícia ao longo dos anos", afirmou Lins e Silva.

Os papéis serão entregues à Divisão de Homicídios, que investiga o crime. A Corregedoria da Polícia Militar informou que a juíza esteve no órgão uma semana antes de ser morta, mas não comentou sobre nenhuma ameaça de morte contra ela.

 O advogado cita um depoimento dado pela juíza à corregedoria da PM e um documento com relatos sobre uma ameaça descoberta em uma interceptação telefônica da Polícia Federal.

Segundo ele, "há ofícios dramáticos em que Patrícia pede providências" para a garantia de sua segurança. O TJ-RJ alega que a magistrada abriu mão de sua escolta em 2007 e não voltou a pedir proteção.

Ontem, o presidente do TJ, desembargador Manoel Rebelo, disse que Patrícia Acioli tinha uma escolta particular formada por PMs do batalhão de São Gonçalo (7º BPM), justamente a unidade em que vários policiais foram julgados pela juíza.

Tocaia

Investigadores analisaram as imagens das câmeras do Fórum de São Gonçalo, onde Patrícia trabalhava. Dois homens em uma moto teriam feito uma tocaia e esperado o carro da juíza sair da garagem.

Ao ver o veículo na saída, eles teriam seguido para a casa da magistrada. No mesmo fórum, a comissão de três juízes criada para assumir provisoriamente os casos sob responsabilidade de Patrícia começou a estudar os processos hoje. Uma audiência marcada para esta semana foi adiada para a próxima.

O juiz Fabio Uchoa, que considerou nula a segurança aos magistrados, foi escolhido para coordenar a comissão. Ele admitiu contar com uma equipe de segurança.

"Minha rotina vai continuar a mesma. Tenho meus mecanismos de segurança, que não ficaram mais rigorosos após o assassinato de Patrícia", disse Uchoa, que se dedicará exclusivamente à 4ª Vara Criminal. Uma comissão do Conselho Nacional de Justiça acompanhará as investigações sobre o assassinato de Patrícia.

Em nota, a Anistia Internacional condenou a execução da magistrada e cobrou ações do governo brasileiro contra as milícias e grupos de extermínio.

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