‘Acordo achando que Patrícia está viva’, diz pai de engenheira desaparecida

Três anos depois, caso permanece sem conclusão e PMs indiciados respondem a processo em liberdade

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

Um manifesto marcado para este sábado (18), ao meio-dia, vai marcar os três anos do desaparecimento da engenheira Patrícia Amieiro Franco, ocorrido no dia 14 de junho de 2008, no Rio de Janeiro. A passeata irá acontecer na saída do Túnel Lagoa-Barra, no sentido Barra da Tijuca, local onde a jovem, de 24 anos, desapareceu.

“Gostaria de enterrar o corpo da minha filha. Isso aliviaria parcialmente a dor e daria um pouco de paz para mim e minha mulher. Até hoje acordamos achando que a Patrícia está viva, dormindo no quarto dela. Mas infelizmente é muito triste saber que ela não virá mais ao nosso quarto para nos acordar com o seu sorriso”, diz o pai da engenheira, Celso Franco, ao iG .

Bonita, estudiosa e fã de música baiana, a engenheira de produção formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) sumiu quando voltava sozinha de carro de um show no Morro da Urca, na zona sul da capital fluminense.

Carro alvejado dentro de canal

O automóvel recém-comprado com o salário de seu emprego em uma empresa multinacional foi encontrado no Canal Marapendi, alvejado por tiros, com o vidro traseiro quebrado, uma pedra próxima ao pedal e com o cinto de segurança afivelado. O corpo da jovem, no entanto, tinha desaparecido .

Próximo ao local do acidente, dois policiais militares lotados no 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes) estavam de plantão em uma viatura. Eles foram os primeiros a chegar ao carro e alegaram não ter visto ninguém dentro do automóvel.

Após diversas suposições, peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) concluíram que no dia do acidente Patrícia seguia pela Auto-Estrada Lagoa-Barra em alta velocidade. Os policiais teriam ordenado que a engenheira parasse e, como isso não aconteceu, eles atiraram.

Pelo menos três tiros atingiram o carro de Patrícia, sendo dois no capô e um no para-brisa dianteiro. Apesar dos projéteis terem se fragmentado, foi possível constatar que um dos tiros partiu da pistola calibre 40 usada por um dos policiais que estavam de plantão.

Após os disparos, a vítima perdeu o controle do carro e caiu pela ribanceira. Seu corpo não teria sido arremessado por causa do cinto. Minutos depois do acidente, outra viatura da PM chegou ao local. Dois agentes teriam sido chamados para ajudar a retirar o corpo de Patrícia do carro. Para tal, o banco foi rebaixado e o cinto permaneceu afivelado.

“Na PM, um acoberta o outro”, diz pai

Um ano e dez dias após o desaparecimento de Patrícia, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou a prisão preventiva dos quatro policiais militares envolvidos no caso. Willian Luís do Nascimento e Marcos Paulo Nogueira Maranhão respondem por homicídio e ocultação de cadáver . Fábio da Silveira Santana e Márcio de Oliveira dos Santos respondem somente por ocultação de cadáver

Em setembro de 2009, o 1º Tribunal do Júri da capital resolveu revogar a prisão preventiva dos réus por não subsistirem motivos para justificar tal medida. Desde então, os policiais respondem ao processo em liberdade e trabalham na área administrativa do 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes).

Em maio de 2010, a Polícia Militar divulgou o resultado de um inquérito realizado pela corporação. De acordo com a investigação feita, faltam indícios que comprovem envolvimento dos PMs no desaparecimento de Patrícia.

“Não encontramos nenhum fato ou dado que pudesse indiciar os policiais militares nessa atividade criminosa”, disse o corregedor da PM, coronel Ronaldo Menezes, na ocasião. “O inquérito não tem por objetivo inocentar, tampouco condenar ninguém. Essa é tarefa da Justiça”, completou.

Segundo o Tribunal de Justiça do Rio, a última audiência do caso foi realizada em abril deste ano. O juiz responsável pelo julgamento solicitou novos documentos para serem anexados aos autos para então marcar a próxima data. Quando a audiência tiver fim, o magistrado irá decidir se os policiais militares vão ou não a júri popular.

“A avaliação da Polícia Militar para mim não significa nada. É café com leite. Na PM, um acoberta o outro. Eu quero é justiça, acreditar que há lei nesse País”, diz Celso Franco. “Até hoje minha mulher não deixa ninguém entrar no quarto da Patrícia. Quer que tudo fique exatamente no mesmo lugar”, completa emocionado.

Confira o story board sobre o desaparecimento da engenheira Patrícia:

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