¿Aconteceu hoje o que acontece todos os dias para quem é daqui"

Indignados e assustados, hóspedes do Hotel InterContinental contam o que faziam no momento do tiroteio e da invasão

iG Rio de Janeiro |

Hóspedes do Hotel InterContinental, em São Conrado, na zona sul do Rio de Janeiro, contaram ao iG o drama na hora em que os criminosos invadiram o hotel. Ilesos, eles manifestaram sua indignação com as autoridades e lamentam por quem enfrenta com freqüência situações como a deste sábado.

“Ninguém se acostuma com uma situação crítica como essa. É apavorante”, diz Rafael, que não quis dizer seu sobrenome, mas afirmou ser administrador de empresas do interior de São Paulo. Ele estava no hotel para o Congresso de Ondontologia, que acontecia no hotel. 

Vicente Seda
"Ninguém se acostuma com uma situação crítica como essa", diz o hóspede Rafael
Rafael conta que estava no quarto no momento da entrada dos bandidos, mas que não chegou a vê-los. “Nós que somos hóspedes não sofremos nada. Fomos bem orientados pela policia e pelo pessoal do hotel e tudo ficou bem. Imagina quem convive com isso todo dia. Se coloque na situação deles. É apavorante”, acrescenta.

"Estávamos tomando café da manhã quando percebemos uma correria. Alguns hóspedes correram junto com funcionários para a cozinha. Eu e meu cliente corremos para o quarto. Logo depois escutamos alguém batendo e pedindo para abrir. Mas fingi que não escutei. Depois vimos que bandidos tentavam fugir da cozinha jogando lençóis para o andar superior. Graças a deus deu tudo certo", conta a guia de turismo Vladia Galhardo, que saiu do hotel.

“Aconteceu hoje o que acontece todos os dias para quem é daqui. Um grupo de bandidos encontrou a polícia e tentou fugir e se esconder. Eles se esconderam aqui como podiam ter se escondido na casa de alguém”, acrescenta Rafael.

Vitorio Rocha, que também estava no quarto no momento dos tiros, manifesta sua decepção com as autoridades. “Os políticos estão permitindo essa violência. Será que não percebem a gravidade da situação?”, diz.

“O povo é receptivo e trabalhador, não merece isso. Para resolver a segurança é preciso parar de afagar a cabeça de bandidos. Chega de ONG, chega de direitos humanos, eles que vão para o inferno”, acrescentou.

Vicente Seda
Turista belga Nichols De Wever Baras, com as filhas: "Vimos que era sério pela quantidade de polícia"
“Disseram que era uma área tranquila”

“Não cheguei a ver os bandidos, mas ouvi os tiros. Estava no meu quarto, fui tomar café e achei que era um tipo de exercício. Instantes depois, a polícia começou a mandar a gente sair do local dizendo ‘quietos, não façam barulho’ e fazendo sinal de silêncio com as mãos. Fomos colocados em uma sala que estava em reforma”, conta a turista belga Nichols , 60 anos.

Fisioterapeuta aposentada, ela viajou de Bruxelas para Rio de Janeiro para um casamento na casa de eventos Vila Riso, e diz que escolheu o InterContinental porque havia sido informada que era um ótimo hotel. “Me disseram que era um local bonito, em um área tranquila”, diz.

“Não sabíamos o que estava acontecendo, mas vimos que era sério pela quantidade de polícia. Depois soubemos que havia um grupo de bandidos armados na cozinha”, conta.

Nichols, que está acompanhada por suas filhas, conta que morou no Brasil quando tinha de 3 a 7 anos. “Minha mãe dizia que sempre tinha de levar uma pequena arma na bolsinha dela. Era a primeira coisa que ela procurava antes de sair. Eu não acreditava muito. Mas 50 anos depois, é a mesma coisa”, diz.

"Descobrimos o que estava acontecendo pela TV"

Antonio Westenberger, professor de São Paulo, está hospedado no InterContinental com a esposa, e diz que soube do tiroteio e da invasão pela televisão do quarto.

“Tínhamos tomado café da manhã, subimos para pegar as malas e, quando tentamos descer, o elevador estava parado. Voltamos para o quarto e ficamos trancados. Tentamos ligar para a recepção, mas ninguém atendia. Então começamos a ouvir barulho de helicópteros, ligamos a televisão e descobrimos o que estava acontecendo”, conta.

Vicente Seda
"Os políticos estão permitindo essa violência", diz o turista Vitório Rocha
Pouco depois, a polícia bateu à porta do quarto do casal, no 14º andar, pediu seus documentos e liberou para que deixassem o hotel, sem as malas. Westenberger e a esposa tiveram que remarcar o voo de volta à capital paulista.

No início da tarde, o casal permanecia do lado de fora do hotel aguardando liberação para buscar sua bagagem. “Remarcamos o voo para as 16 horas e não sabemos se vamos conseguir”, diz Antonio.

O professor diz que já morou no Rio de Janeiro e gostava da cidade, mas mudou para São Paulo por causa do perigo. “Vi que a situação ia piorar”, diz.

Maratonistas

“Eu tinha chegado cedo ao hotel, feito check-in, e saído para buscar meu kit para a Maratona do Rio, que será amanhã. Quando voltei, o manobrista me disse na porta do hotel: ‘Cai fora, vai para o outro lado da rua que o hotel está sendo seqüestrado’”, conta Luis Fernando Naso, que é educador.

O hóspede seguiu a sugestão do funcionário e ficou distante do hotel, com o kit da corrida deste domingo nas mãos, aguardando para poder voltar ao quarto. “Comecei a receber telefonemas de minha filha, de todo mundo, perguntando sobre o ocorrido e se eu estava bem”, diz.

Moacir Grunitzky, auditor de Curitiba, diz ter pensado que a movimentação em frente ao hotel era para a organização da Maratona do Rio. “Saí para correr de manhã e quando estava voltando, viu uma movimentação de policiais. Achei que estavam preparando a rua para a maratona. Aí ouvi tiros e o pessoal se jogando da areia”, diz.

Sem documentos e sem dinheiro, no início da tarde Moacir estava perto do hotel, onde também estão outros hóspedes, pedestres, jornalistas e policiais, aguardando a liberação para voltar ao quarto.

Crédito: Samia Mizzuco e Vicente Seda, do iG Rio de Janeiro

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