À polícia, acusado de apologia ao nazismo diz que 'só estava brin

Estudante de 23 anos foi denunciado após exibir tatuagem com a suástica nazista em festa realizada no Clube Israelita Brasileiro

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

Ana Branco / Agência O Globo
Policiais encontraram revistas sobre Hitler e a Gestapo, a polícia nazista
Sob o olhar repreendedor do pai, o administrador Luiz Manoel Cosenzo, o estudante de publicidade Luiz Vinícius Consenzo, de 23 anos, explicou à polícia que estava "apenas brincando" quando entrou em uma festa realizada no dia 3 de dezembro do ano passado no Clube Israelita Brasileiro, em Copacabana, e exibiu uma tatuagem com a suástica nazista que fez na perna direita.

Intimado nesta quarta-feira (9) a prestar depoimento sobre seu gesto na 12ª DP (Copacabana), Luiz Vinícius respondeu que tudo não passou de uma brincadeira. Porém, admitiu, em depoimento, ser "simpatizante de Hitler e estudioso do integralismo". "Ele declarou que faria sua monografia sobre o tema", contou o delegado Antenor Martins Junior, titular da 12ª DP, que investiga o caso.

Luiz Vinícius foi denunciado por crime de preconceito, conforme prevê a Lei 7.716, de 1989. Se condenado, pode cumprir cinco anos de prisão. Mas por enquanto ele vai responder em liberdade. "Ele não ofereceu resistência à intimação, assumiu que é simpatizante do nazismo, é primário e tem endereço fixo", explicou a delegada Cristiana Miguel Bento, que também trabalha no caso.

Polícia diz que jovem mantinha comunidade nazista no Orkut

Os investigadores conseguiram localizar Luiz Vinícius graças à tatuagem que gerou a denúncia. A reclamação foi feita pelo presidente do Clube Israelita Brasileiro, Cezar Benjor, que entregou fotos do acusado aos policiais.

O material chegou até ele por intermédio de jovens que participavam da festa em dezembro. O encontro foi realizado por estudantes de psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que alugaram o espaço de festa do clube. Luiz - que segundo a polícia é aluno do curso de publicidade da Universidade Veiga de Almeida - chegou até o evento por meio de um amigo, que também está sendo investigado.Um outro jovem, menor de idade, também está na mira dos investigadore, por manter relação com o grupo.

Segundo testemunhas, durante a festa o universitário teria chamado a atenção de alguns convidados para exibir a tatuagem, o que chocou as pessoas que estavam no local.

Na casa do Luiz Vinícius, no Grajaú, zona norte do Rio, os investigadores localizaram uma comunidade mantida pelo jovem no Orkut para fazer apologia ao nazismo. Também foram encontradas diversas fotos e revistas sobre o tema.

Em uma das imagens, Luiz aparece em cima de uma instalação de cimento com a palavra "Paz", fazendo o gesto de saudação nazista, com o braço direito esticado. O rapaz usava um bigode idêntico ao de Hitler e depilou os pelos do peito no formato da suástica símbolo do movimento.

Ana Branco / Agência O Globo
Foto encontrada no computador de Luiz Vinícius, que foi apreendido pelos policiais

Investigadores dizem que pai chamou o filho de "inconsequente"

De acordo com os policiais, o pai de Luiz Vinícius ficou visivelmente transtornado quando soube das atitudes do filho. Na delegacia, enquanto o universitário prestava depoimento, policiais disseram que ele chamava o menino de "inconsequente".

Ainda de acordo com o relato dos policiais, quando questionado sobre o que fez quando viu a tatuagem do filho, Luiz Manoel teria respondido que "filho adulto é difícil de controlar", mas que "não apoiava" a atitude do rapaz.

Diante da repercussão de seu gesto, e do risco de cumprir cinco anos de prisão, Luiz Vinícius teria se arrependido. "Ele disse que estava arrependido e que iria retirar a tatuagem", contou o delegado Antenor Martins.

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