Ônibus começam a circular em Maricá (RJ) sem cobrar passagem

Por Agência Brasil |

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Com quase 150 mil habitantes, Maricá vai ser a maior cidade do estado do Rio a ter transporte com tarifa zero

Agência Brasil

As quatro primeiras linhas de ônibus com tarifa zero (sem cobrar passagem) começam a circular hoje em Maricá, o terceiro município do estado do Rio de Janeiro a oferecer transporte público sem a cobrança de passagens. Inicialmente, o serviço terá 10 veículos e ligará os bairros de Recanto e Ponta Negra, nas extremidades do município.

Os ônibus circularão com intervalos de 20 minutos entre 5h e 22h, e de hora em hora durante a madrugada. No itinerário, estão paradas no fórum da cidade, unidades de saúde e a prefeitura. As linhas que existem atualmente, da Viação Nossa Senhora do Amparo, não serão extintas, mas a intenção da prefeitura é criar um sistema de transporte independente delas:

"Esse é o corredor principal da cidade e a ligará de ponta a ponta, atendendo a 70% da população. Uma pessoa que sai do Distrito de Itaipuaçu, por exemplo, teria que pegar três ônibus para chegar em algumas partes da cidade, pagando R$ 2,70 cada um", diz o prefeito Washington Quaquá, que pretende contratar vans até o fim de 2015 para alimentar esse corredor principal.

Quaquá criticou a qualidade do serviço da empresa de ônibus privada que atua há 40 anos em Maricá, e disse que a prefeitura pretende entrar na Justiça para cobrar melhorias. "Eles não cumprem o contrato. Os ônibus são horrorosos".  A Agência Brasil não conseguiu contato com a assessoria de imprensa da Viação Nossa Senhora do Amparo e o Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro não se pronunciou sobre o assunto.

Para a auxiliar de odontologia Priscila Silva, de 29 anos, o estado de conservação dos ônibus na cidade não chega a ser um problema. Na visão dela, o cidadão do município sofre mais com a demora: "Moro em Itaipuaçu, e ônibus para o centro de Maricá demora demais. Às vezes,  não passa nenhum, e, depois, vem cinco de uma vez. É mal organizado", critica a moradora.

Acostumada a ir trabalhar a pé, a professora Jane Maria, de 38 anos, também enfrenta demora quando precisa pegar ônibus. Para ela, faltam opções de transporte na cidade: "Essa (linha de ônibus) que será inaugurada hoje, vai facilitar, porque antes não tinha ônibus por esse caminho; mas o que precisamos mesmo é ônibus intermunicipal, para Araruama, as cidades da Baixada Fluminense e outros municípios", diz ela, que desconfia do serviço gratuito: "Não precisava ser gratuito, podia ter um valor simbólico. Será que vai dar para manter essas linhas?"

O prefeito afirma que o serviço custará R$ 700 mil por mês à prefeitura e, depois que for complementado pelas vans, R$ 1,3 milhão. Acrescenta que, só a prefeitura vai economizar R$ 400 mil em vale-transporte dos funcionários e que as empresas da cidade também vão se beneficiar disso.

O projeto prevê a criação de câmaras populares para avaliar a qualidade do serviço, e também avaliações periódicas de desempenho.Para prestar o serviço, o município criou uma autarquia, a Empresa Pública de Transportes, e contratou 30 motoristas de ônibus por meio de concurso público, em caráter temporário, por 12 meses. Somando outros profissionais, a autarquia tem 45 funcionários. De acordo com a prefeitura, foram investidos R$ 4,8 milhões.

Os ônibus são equipados com ar condicionado, acesso para cadeirantes por elevadores e internet sem fio. O itinerário e as paradas são informados por meio de aviso em áudio e telões, para portadores de necessidades especiais.  O sistema começou em Silva Jardim em fevereiro de 2014 e é utilizado por 2 mil pessoas por dia. Na cidade de Porto Real, no sul do estado, a tarifa zero existe desde 2008 e custa R$ 200 mil por mês à prefeitura, o que equivale a 2% da receita municipal. Oito ônibus fazem o transporte e transportam diariamente 5 mil pessoas. 

Com quase 150 mil habitantes, Maricá vai ser a maior cidade do estado do Rio a ter transporte com tarifa zero. Porto Real e Silva Jardim são os outros municípios que adotaram a política. Segundo a comerciante Margareth Xavier, de Silva Jardim, a medida agradou os moradores da cidade e fez diferença também para o comércio: "Clientes de bairros mais distantes passaram a comprar na minha loja. Os moradores dos distritos agora vêm mais para a cidade".

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