Ministério Público vai investigar Estado-Maior da Polícia Militar

Por Agência Brasil |

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Sargento da PM revelou ter ouvido de oficiais que todos os batalhões eram obrigados a pagar uma quantia de R$ 15 mil

Agência Brasil

A 2ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria de Justiça Militar, instaurou hoje (25) procedimento investigatório criminal militar para apurar denúncia de pagamento de propina ao Estado-Maior da Polícia Militar (PM) do Estado do Rio de Janeiro, feita nos autos de processo que tramita na 1ª Vara Criminal de Bangu. No depoimento prestado por um sargento da PM, preso na operação, para se beneficiar da delação premiada, revelou ter ouvido de oficiais presos na Operação Amigos S.A. que todos os batalhões eram obrigados a pagar uma quantia de R$ 15 mil ao Estado-Maior da corporação.

Entre os investigados estão o comandante-geral da PM, coronel José Luis Castro Menezes; o chefe do Estado-Maior Operacional, coronel Paulo Henrique Azevedo de Moraes, e o chefe do Estado-Maior Administrativo, coronel Ricardo Coutinho Pacheco. Também vai ser analisado o envolvimento de outros policiais militares que tenham relação com o mesmo caso.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) atuará em auxílio à investigação. A 2ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria de Justiça Militar decretou o sigilo dos autos e requisitará o inquérito policial militar instaurado na Corregedoria da Policia Militar.

No último dia 15, o Gaeco, em operação conjunta com a Secretaria de Segurança Pública e a Corregedoria-Geral da Polícia Militar, deflagrou, em vários pontos do Rio, a Operação Amigos S.A., para desmantelar quadrilha formada por 24 policiais militares que integravam o 14° Batalhão da PM (Bangu), inclusive os integrantes do Estado-Maior, e exigiam pagamento de propina de comerciantes, mototaxistas, motoristas e cooperativas de vans, além de empresas transportadoras de cargas na área do batalhão.

A denúncia foi encaminhada pelo Gaeco à 1ª Vara Criminal de Bangu, que expediu 43 mandados de busca e apreensão e 25 mandados de prisão preventiva, dos quais 24 são contra PMs. Até o início da tarde desta segunda-feira, foram presas 22 pessoas, das quais cinco oficiais. Foram apreendidos cerca de R$ 300 mil em espécie. Desse total, R$ 287 mil foram localizados na casa do major Edson Alexandre Pinto de Góes e R$ 33 mil na residência de outro PM que integrava a quadrilha. Documentos que demonstrariam a distribuição da propina foram recolhidos e serão analisados para identificar a ocorrência de lavagem de dinheiro.

Entre os denunciados estão seis oficiais que eram lotados no 14° Batalhão da Polícia Militar (BPM): o ex-comandante coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro de Oliveira, que chefiava o Comando de Operações Especiais (COE), e o ex-subcomandante major Carlos Alexandre de Jesus Lucas – ambos lotados no Comando de Operações Especiais –, os majores Nilton João dos Prazeres Neto (chefe da 3ª Seção) e Edson Alexandre Pinto de Góes (coordenador de Operações), além dos capitães Rodrigo Leitão da Silva (chefe da 1ª Seção) e Walter Colchone Netto (chefe do Serviço de Inteligência). Também são acusados de integrar a quadrilha 18 praças e um civil.

No ano de 2012 e o segundo semestre de 2013, os acusados e mais 80 pessoas, entre os quais policiais do 14° BPM, da 34ª Delegacia de Polícia (Bangu), da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial, além de PMs reformados, praticavam diversos crimes de concussão (extorsão cometida por servidor público) na área de atuação do 14° BPM.

A quadrilha exigia propinas que variavam entre R$ 30 e R$ 2.600 e eram cobradas diária, semanal ou mensalmente, como garantia de não reprimir qualquer ação criminosa, seja a atuação de mototaxistas, motoristas de vans e kombis não autorizados, o transporte de cargas em situação irregular ou a venda de produtos piratas no comércio popular de Bangu.

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