Com doações por rede social, morador do Rio resgata animais à beira do morte

Por Bruna Talarico - iG São Paulo |

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O artista plástico Wilson Martins Coutinho dedica sua vida ao cuidado de animais abandonados e vítimas de maus-tratos

Reprodução/Facebook
Wilson retira, uma por uma, as larvas que se alojaram no corte profundo da garganta de um cachorro resgatado: batizado de Marcelino, o animal hoje vive saudável em Belford Roxo (28.08)

As imagens são fortes, e em nada lembram as de bichinhos saudáveis em situações simpáticas que atraem 'curtidas' no Facebook. Nas fotos postadas pelo artista plástico belford-roxense Wilson Martins Coutinho, animais são retratados em circunstâncias de extrema vulnerabilidade: com machucados profundos e necrosados, infestados de larvas e com um enquadramento tão próximo que faz o observador ser tomado por calafrios. Mas se tamanha fragilidade causa aversão, também traz engajamento: é graças a visibilidade conseguida com a rede social que Coutinho perpetua seu trabalho.

É comum por ali as fotos terem mais de 1.000 curtidas. Afinal, mais de 278 mil seguidores se distribuem nos quatro perfis criados por ele, "porque as páginas vão lotando e as pessoas querem acompanhar", justifica. Por acompanhar, entenda-se doar dinheiro, comida e medicamentos para o cuidado de seus "anjos".

A prestação de contas se dá quase que diariamente, com a publicação dos recibos e pedidos médicos, o que lhe garante respeito e confiaça entre os internautas. As despesas clínicas recebem ainda um desconto importante do veterinário Ronaldo Caetano, que apoia Wilson. "Minhas páginas são um tipo de Big Brother, porque mostro a evolução dos animais todos os dias. As pessoas entram pra acompanhar as histórias, para ver como está cheio de vida um cachorro que foi tirado da rua praticamente morto", conta ele.

Confira imagens da recuperação dos animais resgatados por Wilson:

O artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/FacebookO artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/FacebookO artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/FacebookO artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/FacebookO artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/FacebookO artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/FacebookO artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/FacebookO artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/FacebookO artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/FacebookO artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/FacebookO artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/FacebookO artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/FacebookO artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/FacebookO artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/FacebookO artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/FacebookO artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/FacebookO artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/FacebookO artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/FacebookO artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/FacebookO artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/FacebookO artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/FacebookO artista plástico Wilson Martins Coutinho, de 48 anos: vida dedicada a resgatar animais em situação de vulnerabilidade (27.08). Foto: Reprodução/Facebook

Wilson é um autoproclamado protetor de animais, mas que ganhou o tratamento de "santo" de seus admiradores ao se dedicar integralmente ao resgate e tratamento de bichos abandonados nas ruas da Baixada Fluminense. A região metropolitana do Rio de Janeiro é marcada pela carência de serviços públicos fundamentais, com saneamento precário e qualidade de vida comprometida. "Aqui é a Etiópia dos animais: é perto de favelas, está cheio de maus tratos e abandono", explica.

Reprodução/Facebook
O trabalho de Wilson tem reconhecimento fora das fronteiras nacionais: admiradores latinos homenagearam o protetor de animais com montagem nas redes sociais (28.08)

Mosaicista e cozinheiro de forno e fogão formado, ele não consegue hoje se dedicar a nenhum dos dois ofícios. Ao lado da irmã e da mãe, ele estima já ter tirado cerca de mil animais das ruas, e muitos conseguiram novos lares. Atualmente, pelo menos 400 estão sob sua custódia: os mais vulneráveis em sua casa, e os reabilitados, no sítio comprado por seguidores, muitos estrangeiros, para que ele conseguisse ampliar sua atuação. O lugar, numa área isolada de Belford Roxo, foi batizado de Santuário Nosso Sonho. 

Lá, cachorros e gatos dividem os 120 mil metros quadrados com cavalos, porcos, cabritos, vacas, gansos, perus, coelhos e até mesmo galinhas que haviam sido usadas em trabalhos religiosos. A Polícia Ambiental costuma ir até o lugar para soltar animais apreendidos.

Há poucas semanas, Wilson deu entrada na documentação para transformar sua iniciativa em uma organização não-governamental. "A única ajuda que tenho é de pessoas simples, tão comuns quanto eu e você. Sou a mão delas, que amam os animais mas não tem como cuidar dos animais e fazer este trabalho nas ruas", resume.

Wilson Coutinho resgata um cavalo. Assista:


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