Sindicato diz que entre os profissionais machucados, três eram estrangeiros: um canadense, um peruano e um italiano

Agência Brasil

O Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro divulgou uma nota dizendo que 15 jornalistas que cobriam as manifestações contra a Copa do Mundo, neste domingo (13), na Tijuca, zona norte da cidade do Rio de Janeiro, ficaram feridos. De acordo com o sindicato, os repórteres foram agredidos por policiais militares que acompanhavam o protesto ou ficaram feridos com armas não letais desses agentes.

Polícia usa violência para reprimir protesto no Rio de Janeiro
AP
Polícia usa violência para reprimir protesto no Rio de Janeiro

Entre os jornalistas agredidos, três são estrangeiros. O documentarista canadense Jason O'Hara teve que ser levado para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, para tratar de ferimentos. Além dele, foram agredidos o fotógrafo peruano Boris Mercado (que chegou a ser detido) e o jornalista italiano Luigi Spera.

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O fotógrafo do Portal Terra Mauro Pimentel sofreu agressões. A notícia publicada pelo próprio Portal informa que ele foi atingido quando tentou passar por uma barreira policial para registrar um princípio de confronto. Três policiais o teriam acertado com cassetetes no rosto e na perna. Ele chegou a cair no chão e teve a máscara de gás e a lente de sua máquina quebradas, de acordo com o Terra.

O jornalista do SBT Tiago Ramos, outro ferido, contou em seu perfil na rede social Facebook que foi para o hospital depois que um policial o golpeou no braço. “Enquanto eu filmava uma agressão feita pela polícia, um policial com intuito de evitar que eu continuasse filmando me golpeou pelas costas, a pancada que era pra pegar na minha nuca, acabou pegando no braço porque virei pra me defender, estou com atestado, no qual o médico me proíbe fazer qualquer atividade por três dias.”

Também precisou de atendimento no Hospital Souza Aguiar o fotógrafo Loldano da Silva, que recebeu golpes de cassetete no braço esquerdo. Segundo o sindicato, a fotógrafa Ana Carolina Fernandes, da agência de notíciasinternacional Reuters, teve a máscara de gás arrancada por um policial, que, em seguida, jogou spray de pimenta em seu rosto.

Cerco policial de três horas impediu a saída de manifestantes e jornalistas na praça Saens Peña
Tomaz Silva/Agência Brasil
Cerco policial de três horas impediu a saída de manifestantes e jornalistas na praça Saens Peña

A presidenta do Sindicato dos Jornalistas, Paula Máiran, lamentou as agressões sofridas pelos jornalistas durante seu exercício profissional. “A gente precisa se organizar e se unir, não só os jornalistas como toda a sociedade, para cobrar uma mudança desse modelo de segurança pública que, em nome da ordem, promove uma violência brutal desse tipo”, disse.

Um cerco policial que durou três horas impediu a saída de manifestantes e jornalistas na Praça Saens Peña. Manifestantes também ficaram feridos no protesto.

Por meio de nota, a Polícia Militar (PM) informou que “reconhece a importância do trabalho dos jornalistas como base em um país democrático, no registro e na divulgação de informações” e que “todas as denúncias e imagens recebidas relativas ao excesso na ação de policiais militares serão encaminhadas à Corregedoria e apuradas”.

A PM disse que garantiu o direito constitucional à manifestação e teve que fazer o bloqueio na Praça Saens Peña porque dados da inteligência policial mostravam que os manifestantes tinham “a intenção de se dirigir à entrada do Maracanã, colocando em risco a segurança de milhares de torcedores”.

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