Manifestantes fazem 'rolé ativista' na entrada do shopping Leblon

Por Nina Ramos - iG Rio |

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Protesto em apoio aos rolezinhos ocupou calçada com cartazes contra realização da Copa e discriminação

Apesar das 9,1 mil confirmações de presença no Facebook, o protesto a favor dos rolezinhos marcado no shopping Leblon às 16h20 deste domingo (19) atraiu cerca de 50 manifestantes que, sem poder entrar, ocuparam a entrada de forma pacífica, com performances irônicas. Um travesti vestido de madame, participantes fantasiados de Coringa e Batman (presença constante nos protestos cariocas), e um grupo que anunciava um "rolé ativista" ao som de funk animaram a manifestação, que atraiu dezenas de curiosos e jornalistas estrangeiros. 

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Protesto reuniu cerca de 50 manifestantes a favor dos rolezihos. Foto: Nina Ramos/iG RioAlexandre Faria, 21 anos, disse, de forma irônica, que "o shopping fechou só porque só porque a burguesia achou que os pobres iam entrar". Foto: Nina Ramos/iG RioCartaz de manifestantes a favor de rolezinhos. Foto: Nina Ramos/iG RioSeguranças na porta do shopping Leblon, que não chegou a abrir as portas neste domingo. Foto: Nina Ramos/iG RioMorador da Rocinha, Iata Anderson, 22 anos, foi um dos poucos representantes da periferia na manifestação. Foto: Nina Ramos/iG RioManifestante empunha cartaz por boicote à Copa ao lado de informe que anuncia fechamento do shopping Leblon. Foto: Nina Ramos/iG RioManifestantes vestidos de Coringa e Batman" são figuras constantes nos protestos do Rio desde o ano passado. Foto: Nina Ramos/iG RioProtesto atraiu poucos manifestantes ao shopping Leblon. Foto: Nina Ramos/iG RioPúblico do Teatro Oi Casa Grande, ao lado do shopping, foi hostilizado pelos manifestantes. Foto: Nina RamosCom asinhas de frango na mão, manifestantes gritaram "aceita, aceita" para o público do teatro. Foto: Nina Ramos/iG Rio

Diferente do rolezinho que foi alvo de repressão policial no shopping Itaquera, na zona leste de São Paulo, na semana passada, em que o foco era paquerar, ostentar roupas caras e ouvir música, o ato deste domingo tem uma pauta que inclui a luta contra a discriminação social e racial e o boicote à Copa do Mundo. 

Por volta das 19 horas, um repórter da GloboNews foi cercado e hostilizado por manifestantes. Ele deixou o local foi escoltado por homens que seriam seguranças da emissora.

O morador da Rocinha Iata Anderson, 22 anos, foi um dos poucos que saiu de casa para participar da manifestação - e um dos poucos representantes da periferia no local. Para ele, não havia necessidade de fechamento do shopping. “No Natal, os shopings também ficam abarrotados e nada acontece. Não é justificativa para fechar".

Confira performance bem-humorada no protesto:

Para Anderson, as diferenças sociais no Rio são mais visíveis que em São Paulo, onde houve repressão policial aos rolezinhos. “Temos a Cruzada aqui no meio do Leblon, a Rocinha é o cenário de São Conrado, que também é um dos bairros mais caros do Rio. Em Copacabana tem a Pavão-pavãozinho. A contradição fica escancarada e isso incomoda de certa forma, como vimos hoje com o fechamento do shopping.”

O estudante Alexandre Faria, 21 anos, que participou dos protestos contra o aumento da tarifa de ônibus no ano passado, disse, de forma irônica, que "o shopping fechou só porque a burguesia achou que os pobres iam entrar".

Rolé ativista tem funk contra Copa:

Apesar do anúncio do secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame, de que a polícia militar não reforçaria a segurança no local, policiais militares se posicionaram na frente dos shoppings e nas ruas do entorno. A guarda-municipal também reforçou o efetivo.

O shopping Rio Design Leblon, que fica quase na frente do shopping Leblon, também fechou as portas. Clientes que passavam em frente ao shopping perguntavam aos seguranças o motivo do fechamento do centro comercial neste domingo. Alguns classificaram como "absurdo" o fechamento do centro comercial.

No site do shopping Leblon não havia nenhum aviso sobre o fechamento do centro comercial. A segurança foi reforçada, inclusive com profissionais à paisana. O teatro Oi Casa Grande, que fica dentro do shopping, no entanto, funcionou normalmente.

O shopping Leblon fica em frente à Delegacia de Atendimento ao Turista (DEAT) e à Delegacia Antissequestro (DAS). A 14ª Delegacia de Polícia fica bem próxima ao local.

Batalha judicial

O fechamento do shopping Leblon com o objetivo de impedir a realização do protesto foi anunciado após a desembargadora do plantão judiciário ter determinado, no sábado (18) que fosse garantido o "livre direito de acesso e livre manifestação de pensamento em local aberto ao público".

A medida judicial havia sido pedida pelo grupo Habeas Corpus-Rio de Janeiro, formado por advogados voluntários, com o objetivo de impugnar a decisão liminar dada pela 14ª Vara Cível do Rio na quinta-feira (16) que, na prática, impedia o rolezinho do Leblon ao fixar multa de R$ 10 mil para cada manifestante que participasse do protesto e fosse identificado por oficiais de Justiça. Para a juíza Isabela Pessanha Chagas, o rolezinho no shopping Leblon colocaria "em risco a integridade física de eventuais consumidores".

No fim da noite de sábado, 18, já tendo conhecimento do salvo conduto concedido pelo juiz de plantão Luiz André Bruzzi Ribeiro, que assina a decisão por solicitação da desembargadora do plantão, Regina Lucia Passos, o shopping Leblon anunciou, por meio de nota, a decisão de "suspender suas atividades neste dia, com o intuito de garantir a integridade de seus clientes, lojistas e colaboradores".

O salvo conduto coletivo beneficia integrantes do grupo "Porque Eu Quis", que convocara o "rolezinho" pelo Facebook. Sem a proibição, o shopping Leblon decidiu fechar suas portas. De acordo com o Grupo Habeas Corpus, a decisão que proibia o "rolezinho" impedia a livre reunião de pessoas e de manifestação pública do pensamento.

"A prática do rolezinho, na verdade, vem de longa data nos shoppings do Brasil, onde jovens se reúnem para se encontrar, se divertir, passear e, mais recentemente, fazer manifestações de caráter político. Essas práticas, se realizadas dessa maneira, são protegidas pela Constituição Federal", argumentaram os advogados e advogadas em nota divulgada na página do grupo em redes sociais: "O grupo Habeas Corpus-RJ faz questão de esclarecer que não tem qualquer conexão com os integrantes do grupo 'Porque Eu Quis'. A medida tomada foi autônoma e em respeito aos objetivos do grupo Habeas Corpus-RJ. O grupo também ressalta que a decisão tomada hoje não libera - e nem poderia - a prática de crimes ou contravenções penais durante o 'rolezinho', os quais podem e devem ser reprimidos pelos agentes de segurança pública, inclusive, se for o caso, através de prisões em flagrante."

*Com informações da Agência Estado

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