Reconstituição do sumiço de Amarildo esclarece fatos, diz delegado

Por iG São Paulo |

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Amarildo está desaparecido desde 14 de julho, após ter sido conduzido por PMs da UPP de sua casa na Rocinha

O delegado Rivaldo Barbosa, responsável pelo inquérito que apura o suposto assassinato do pedreiro Amarildo de Souza, na favela da Rocinha, disse na manhã desta segunda-feira (02) que a reconstituição do caso "trouxe vários esclarecimentos". "Demos um bom passo na investigação. Colocamos as pessoas nos seus lugares, pegando pelos depoimentos, e estamos confrontando com o que foi falado anteriormente", afirmou o delegado.

Por volta das 11h, acabou a reprodução simulada dos últimos momentos de Amarildo. A simulação durou 16 horas e Barbosa foi embora sem dar declarações à imprensa. A reconstituição começou ontem por volta das 19h e ouviu os 13 policiais militares da UPP da Rocinha que trabalhavam no dia do desaparecimento. Foi a mais demorada da história da Polícia Civil do Rio.

O Dia: 
Reconstituição: 'Demos bom passo na investigação', diz delegado 
Tropa de elite fez operação no dia do sumiço de Amarildo

Alessandro Costa / Agência O Dia
Reconstituição do desaparecimento de Amarildo foi realizado durante a noite e madrugada















O primeiro lugar onde os investigadores estiveram, ainda ontem (1) à noite, foi a localidade conhecida como Cachopa. Segundo o delegado, era ali onde inicialmente estava a viatura da PM que transportou Amarildo de sua casa, na rua 2, até a sede da Unidade de Polícia Pacificadora, no Portão Vermelho.

Em seguida, os policiais civis estiveram no bar perto da casa de Amarildo, onde ele foi abordado pelos PMs na noite de 14 de julho. Depois, os inspetores foram ao Centro de Comando e Controle da UPP, ainda na rua 2, onde Amarildo foi colocado na viatura que o transportou até a sede da Unidade, na parte alta da favela. Por fim, os investigadores seguiram até a sede da UPP, onde permaneciam até as 11 horas.

Indagado sobre o motivo de familiares de Amarildo não participarem da simulação, Barbosa disse que, neste momento, não considerou conveniente. "Várias pessoas participaram da reconstituição até às 5 da manhã (desta segunda), inclusive as últimas pessoas que viram Amarildo. Repito: a reconstituição é necessária para esclarecer o que houve com Amarildo. Não estou imputando nada a ninguém. Ainda trabalhamos com aquelas duas hipóteses (de que o crime tenha sido cometido por PMs da UPP ou traficantes da Rocinha)."

Três dos quatro PMs que conduziram Amarildo participaram da reprodução simulada. Dois deles pediram para usar capuz para esconder o rosto, alegando que moram em favelas e temiam ser reconhecidos por criminosos.

O trajeto entre a casa de Amarildo e a UPP foi refeito três vezes pelos investigadores - um PM participou de cada vez. O objetivo da Polícia Civil era encontrar possíveis contradições nos depoimentos anteriores dos PMs.

Cerca de cem policiais civis da Divisão de Homicídios e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), tropa de elite da Polícia Civil, participam dos trabalhos. Pelo menos 13 PMs que estavam de plantão na UPP prestaram novos depoimentos, entre eles o comandante da UPP, major Edson Santos - que será exonerado nos próximos dias.

* Com Agência Estado e Agência Brasil

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