Mesmo após fim da JMJ, peregrinos esticam o dia na praia de Copacabana

Por Paula Costa - iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

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Jovens de 175 nacionalidades acamparam no bairro e permaneceram mesmo depois da missa final da JMJ

Dia de sol em Copacabana e os jovens aproveitaram até o último minuto a vista de um dos mais conhecidos cartões-postais do Brasil. Após a missa de envio, muitos participantes deixaram o bairro, mas uma grande maioria ficou nas areias de Copacabana, e alguns ainda pretendem passar a noite na praia. Tudo vale para desfrutar do último dia da Jornada Mundial da Juventude

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Grupo de Cotia, que na saída se perdeu da coordenadora. Foto: Paula CostaAs jovens Bianca Gilmara (boné), Isabela Cristina e Ana Carolina Mattos. Foto: Carla CostaO grupo Cruzeiro do Norte, que precisou esperar uma das peregrinas que passou mal. Foto: Carla CostaEduardo Antônio Marcondes aproveitou o dia de sol para entrar no mar de Copacabana. Foto: Paula CostaO sargento Jorge Soares. Foto: Paula CostaMarcelo de Oliveira, vendedor mate, lucrou com a JMJ. Foto: Paula CostaSeminaristas de Campo Grande, Cleber Ribeiro (mapa na costas), Léo Rezende Dourado e Kalzely Barbosa
. Foto: Paula CostaGrupo de Curicica, Mariana Mota, Geovanni Silveira, Regis Adriano e Paulo Henrique Fonseca. Foto: Carla CostaMovimentação em Copacabana, neste domingo, após o fim da Jornada Mundial da Juventude. Foto: Paula CostaMovimentação em Copacabana, neste domingo, após o fim da Jornada Mundial da Juventude. Foto: Paula Costa

Assim como passar a noite na praia não foi fácil, a volta para casa também não foi diferente. Alguns grupos montavam estratégias para não se perder. Andar de mãos dadas pelas ruas era a cena mais comum no bairro. Porém, um grupo de Cotia, São Paulo, não teve sorte, e se perdeu de uma das coordenadoras, a Edileuza Maria. Descontraídos, eles até fizeram uma canção, para tentar localizar a amiga. Sobre a noite na praia, a conclusão é unânime: muito frio e muita fila.

“Foi uma noite muito especial. Mas, passamos muito frio, sede, e tivemos problemas para ir ao banheiro. Muita fila para tudo. Nós dormimos no máximo três horas durante a noite toda”, disse Augusto Lira. “Independentemente dos sacrifícios, nós sabíamos que não ia ser fácil. Mas, ver o papa é uma emoção indescritível. Faria tudo de novo. A união dos povos e a esperança de uma juventude melhor é a lembrança que vou levar”, revelou o jovem de 16 anos.

Também de São Paulo, um grupo de Campinas improvisou uma caixinha para conseguir arrecadar dinheiro para o almoço. “A noite foi longa. Não dormimos direito, passamos fome, sede e frio. Só estamos almoçando porque pedimos ajuda. Eu estava com saudade de comida de verdade. Mas, a missa foi perfeita. Vida de peregrino não é fácil”, contou Bianca Giovana, de 16 anos.

Durante à tarde, outro grupo aguardava a liberação de uma amiga que passou mal por desidratação. “Nós estamos esperando nossa amiga. Infelizmente ela passou mal. Esse é um evento muito puxado. O papa tem muita energia, a gente tenta acompanhar, mas nem todo mundo consegue”, disse Daniel Nunes, de Cruzeiro do Norte.

Depois da missa de envio, os jovens que não tinham pressa para ir embora aproveitaram para dar um mergulho. “Ainda bem que está fazendo sol. A noite foi muito fria. Dormi no papelão. Mas, o dia amanheceu perfeito. Agora é aproveitar”, falou Eduardo Antônio Marcondes, que não conhecia o Rio de Janeiro. “Mesmo no frio vale à pena dar um mergulho. Vou voltar para casa mais renovado ainda”, concluiu.

O sargento Jorge Soares socorrista do Posto 2, próximo ao palco principal, dava atenção especial para os estrangeiros, que não conhecem o mar agitado de Copacabana. “Ontem foram mais de 80 ocorrências só nesse raio de distância de um quilômetro. A gente tem que ficar em cima, para não acontecer algo grave. E ainda tem o detalhe de não falar a mesma língua deles, para orientar na hora de sair da água”, conta o guarda-vidas.

Para o vendedor de mate, a Jornada foi positiva. “Nem no show do Mick Jagger Copacabana encheu tanto. Mesmo com frio eu consegui vender bem. Para os ambulantes esse evento foi uma prévia do Réveillon. Deu para juntar um dinheiro, e ainda fazer uma fezinha, agradecendo à Deus”, revelou Marcelo de Oliveira Souza, ambulante em Copacabana há oito anos.

Os seminaristas de Campo Grande também fizeram questão de ficar mais um pouco depois da missa. “A noite foi um momento de bênçãos. Jovens cantando em línguas diferentes, a mesma fé. Nós compartilhamos alimentos, cobertores, água. Foi uma oportunidade de praticar a solidariedade”, afirmou o seminarista Leo Rezende Dourado. “Teve uma hora que o mar quase invadiu nossa barraca. Mas, deu tudo certo. E agora estamos aproveitando o sol”, concluiu Leo.

Para os peregrinos o sacrifício de passar a noite na praia foi válido. “O frio foi complicado. Mas, amanheceu um sol maravilhoso. Tivemos uma missa perfeita. Então, só podemos estar felizes com essa experiência”, falou Geovanni Silveira de Souza, cantarolando de alegria. “Fiz amigos do mundo todo. Estou levando para casa um caderno cheio de assinaturas em vários idiomas”, contou Geovanni, enquanto mostrava com orgulho o caderno de recordação da JMJ 2013.

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