"Peregrino tem que ter disposição para acompanhar", diz moradora de Magé que vai atrás do papa onde ele estiver

Em frente ao Theatro Municipal uma multidão aguardava pela oportunidade de ver papa Francisco passar. As escadas da Câmara Legislativa do Rio viraram camarote para os que chegaram mais cedo. “Até agora só consegui ver o papa de longe. Agora estou bem na frente. Hoje consigo”, afirmou Bruna Furlan do Piauí. No meio do povo, Bruna já fez amizade com pessoas do Paraná, Ceará e Minas Gerais. 

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“Esses encontros estão sendo especiais porque fazemos amigos. Eu só falo português e estou conseguindo me comunicar com gente do mundo inteiro. Na hora de vibrar nosso grito é o mesmo: essa é a juventude papa”, cantou Bruna. Animada, depois de ver a saída do papa do teatro, Bruna pretendia sair do centro da cidade e acompanhar os peregrinos em direção à Copacabana, para acampar e participar da vigília .

Para Verônica Boteiro, moradora de Magé, município da região metropolitana do Rio, peregrino de verdade faz maratona da fé junto com papa Francisco. “Já vi o papa três vezes. Só hoje é a segunda. Eu estava na Catedral, e corri para o teatro. Peregrino tem que ter disposição para acompanhar papa Francisco. Ele não cansa. Ontem, em Copacabana ele olhou no meu olho por 3 segundos. Fiquei paralisada. Quero aquela sensação novamente”, comentou Verônica, que ainda cogitou voltar para casa andando caso consiga cumprimentar o papa. A distância do Centro até Magé é de 50 quilômetros.

O desejo de todos é o mesmo, tentar ficar o mais próximo possível do pontífice. Alguns peregrinos conseguiram burlar a segurança e se infiltrar no espaço apenas para credenciados. “Vim caminhando da Tijuca. Estou atrás do papa desde quando ele chegou. Entrei pela rua de trás, antes dela ser interditada e consegui entrar. Vou vê-lo bem de perto. Além de acreditar, a gente tem que confiar”, disse Sandra Graça, que há duas semanas estava internada no CTI, e quer agradecer pela saúde de hoje.

“Daqui vou andando até Copacabana. Eu só quero agradecer a benção de estar viva. Desmaiei sem motivo nenhum. E se hoje estou de pé, é porque tem uma razão maior. E moro no Rio, tenho obrigação de acompanhar os peregrinos para agradecer pela minha vida”, comentou Sandra. Para ela, a distância não é problema. “Vou cantando. E quando você canta para Deus a energia chega e você não pensa em mais nada”, finalizou.

O paulista André Camaro também conseguiu dar um jeitinho de ficar do lado de dentro do alambrado, com uma missão de entregar uma carta à Francisco “Estou tentando desde que cheguei. Vou conseguir. Essa carta foi minha mãe quem escreveu. Eu não sei o que diz, é segredo. Ela se confessou com o papa Bergoglio, quando ele veio ao Brasil e escreveu essa carta. Já tentamos entregar ao João Paulo 2º, e agora tenho essa missão de entregar ao papa Francisco”, disse André.

“Sei que vai ser difícil. Mas, a fé move montanhas. Tem que confiar”, falou com a carta em uma mão e a barraca de camping na outra. “Hoje vou dormir na areia de Copacabana. Tenho certeza de que será uma noite muito especial. Uma multidão de jovens em vigília, no meio de um cartão-postal é para ficar na memória para sempre”, concluiu.

Filipe Schimitz e Eliane da Silveira, de Florianópolis, também conseguiram ficar próximos ao Municipal e ver o papa de perto. “É uma sensação de paz muito grande. Não dá para explicar. É muita alegria e felicidade. O sorriso dele mostra uma expressão de confiança na juventude, e isso é muito especial para nós”, confessou Filipe. “Os jovens estão eufóricos com esse papa. Ele empolga qualquer um. É uma benção ter um representante que busca levar a juventude para a igreja”, falou Eliane.

Após celebrar a missa na Catedral, papa Francisco foi de papamóvel até os fundos do Theatro Municipal. Cerca de duas mil pessoas aguardavam o pontífice dentro do teatro, que foi recebido pela atriz e diretora do Municipal, Carla Camurati. Em seu discurso falou da importância do diálogo para os jovens . No final da cerimônia ele cumprimentou alguns índios e fez questão de colocar um cocar na cabeça, recebido pelo pataxó Ubirai, de 26 anos. Francisco deixou o Theatro em carro fechado, mas sempre com as janelas abertas e acenando para os peregrinos.

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