“Cachacinha vale para esquentar. Pecado é o exagero”, diz peregrino

Por iG Rio de Janeiro - Nina Ramos | - Atualizada às

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Jovens que participam da Jornada Mundial da Juventude quebram estigma do “ser santo” e se mostram “normais”

Peregrinar é palavra de ordem para a Jornada Mundial da Juventude. Seja você fiel ou jornalista, é preciso andar, andar e andar para traçar o perfil do jovem que topa viajar por horas para uma cidade desconhecida, venera Deus, a Igreja e o papa Francisco e encara qualquer tipo de situação, como dormir na praia de Copacabana ao relento.

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Jovens fiéis festejam JMJ em Copacabana com bebida e paquera . Foto: Vivian FernandezMexicano à procura de "gatinhas cariocas" escreve recado nas costas: “Call me” (me liga, em inglês). Foto: Vivian FernandezJovens fiéis festejam JMJ em Copacabana com bebida e paquera . Foto: Vivian FernandezJovens fiéis festejam JMJ em Copacabana com bebida e paquera . Foto: Vivian FernandezJovens fiéis festejam JMJ em Copacabana com bebida e paquera . Foto: Vivian FernandezJovens fiéis festejam JMJ em Copacabana com bebida e paquera . Foto: Vivian FernandezJovens fiéis festejam JMJ em Copacabana com bebida e paquera . Foto: Vivian FernandezJovens fiéis festejam JMJ em Copacabana com bebida e paquera . Foto: Vivian FernandezJovens fiéis festejam JMJ em Copacabana com bebida e paquera . Foto: Vivian FernandezJovens fiéis festejam JMJ em Copacabana com bebida e paquera . Foto: Vivian Fernandez

Acredite ou não esse jovem peregrino é normal. Com todos os dramas, convicções, dúvidas e vontades. E a reportagem do iG acompanhou a rotina desses religiosos nas areias de Copacabana neste sábado (27), antes do início da Vigília com o pontífice. O cenário não surpreendeu: grupos de várias partes do mundo confraternizando, paquerando, contando piadas e até "bebendo uma cachacinha".

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E peregrino pode beber cachaça? “Ué, se beber fosse pecado, Jesus não teria transformado água em vinho, oras”, disparou Paulo Abreu, mineiro de 22 anos. “O pecado está no exagero. Se for para tomar um ‘cadiquinho’ só para esquentar, está valendo”, garantiu.

Vivian Fernandez
Mexicano Arturo Esquer afirmou que também procura uma namorada na JMJ

Para esperar a chegada de Francisco e a celebração de Adoração ao Santíssimo, o mexicano Arturo Esquer tirou a tarde para se refrescar no mar de Copacabana e azarar umas “gatinhas cariocas”. Já sem camisa, o jovem escreveu nas costas a mensagem “call me” (me liga, em inglês) e o seu número de telefone: “Estou aqui para rezar e também para procurar uma namorada”.

A JMJ no Rio tinha até padre de cabelo pintado de azul e moicano. Padre Clay, de 45 anos, do Texas, caprichou no penteado com gel e coloriu as pontinhas com tinta turquesa “porque é jovem”, disse, às gargalhadas. “Eu estou achando tudo maravilhoso. O Rio é lindo, a praia é linda, e esse encontro é maravilhoso”, finalizou.

O grupo de Otavia Cincotta, de 19 anos, da Argentina, tinha na ponta da língua músicas brasileiras. “A gente passa o tempo jogando baralho, conversando, tomando chimarrão e cantando. ‘Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça’... Samba, samba...".

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Para marcar território, os grupos construíram trincheiras (o que não deixou de ser um passatempo). Bandeirinhas fincadas na areia demarcavam o tamanho da área de cada grupo, e bandeirões foram transformados em totem. Os postes que nos finais de semana suportam as redes de vôlei de praia, na JMJ viraram varal para estender a roupa de banho molhada.

Raquel Ribeiro, de 25 anos, já está na sua 3ª JMJ e afirmou que a Vigília é um dos momento mais bonitos da programação. “Nós conhecemos pessoas do mundo inteiro. Passamos a noite em celebração, conversando e rezando. Eu estou preparada com barraca, saco de dormir e manta de alumínio para quebrar o frio da areia. E não tenho medo de arrastão e nem de protesto. Eu também quero gritar contra do Sérgio Cabral e quero saber onde é que está o Amarildo”, disse a jovem, citando o pedreiro desaparecido desde que foi levado para a sede da UPP da Rocinha no dia 14 de julho.

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