Ambulantes do Rio usam criatividade, mas sofrem com a pechincha dos argentinos

Por iG Rio de Janeiro , por Nina Ramos |

compartilhe

Tamanho do texto

Com "Amém-doim" e arriscando no inglês e no espanhol, vendedores tentam lucrar um pouco mais com a JMJ

O amendoim nas mãos de Marcelo Ferreira, de 25 anos, virou “amém-doim”. Foi assim que o ambulante conseguiu atrair a clientela que lotou a praia de Copacabana na noite de sexta-feira (26) para acompanhar a Via Sacra com a presença do papa Francisco. Pela fome ou pela “graça” da piada, o jovem conseguiu compensar os R$ 50 que investiu em mercadoria. “Está dando para levar. O estrangeiro reclama mais do preço que o brasileiro. Quando é assim, faço dois pacotes por R$ 1,50, ao invés de R$ 1 cada”, contou.

Leia também:
Papa participa da Via Sacra e lembra mortos do incêndio de boate em Santa Maria

Nina Ramos/iG Rio de Janeiro
Seu Francisco vendendo suas cangas para um grupo de argentinas

A reportagem do iG viu de tudo no calçadão. Se de um lado os moradores de Guaratiba estão no prejuízo com a transferência dos eventos do Campus Fidei para Copacabana, do outro os ambulantes da zona sul estão fazendo a festa e praticando inglês e espanhol. “Ah, a gente vai aprendendo uns ‘thank you’, um ‘gracias’...”, disse o vendedor de bandeiras e bandanas Rafael Resende da Silva, de 20 anos.

“Os estrangeiros são mesmo bons de negócios. Os argentinos, então, são os mais difíceis para negociar. Eles ficam tentando barganhar, querem colocar o preço lá no pé, pechinchar até cansar”, afirmou o ambulante, que já estava com o estoque de bandeiras finalizado. “Eu investi R$ 500 em mercadoria na segunda-feira. Desde então, estou lucrando e repondo as peças. Vou trabalhar até domingo”, contou.

Mais:
Saiba tudo sobre a Jornada Mundial da Juventude
Veja fotos do 5º dia da visita do papa Francisco ao Brasil
Sol atrai fiéis, padres e freiras para a praia de Copacabana

Seu Francisco Silva, de 65 anos, aproveitou para vestir as argentinas que ficaram encantadas com as cangas e saias da sua coleção. “Eu sou da Bahia e trabalho há 18 anos em Copacabana e Ipanema, que são as praias que dão mais lucro”, afirmou. Os preços do xará do papa vão de R$ 15 a R$ 30, dependendo da peça. “Eu não faço mais caro para gringo, não. Cobro o preço normal para todo mundo para ser justo”, garantiu.

Nina Ramos/iG Rio
Edson Reis diz que o preço do guarda-chuva aumenta assim que começa a garoar

Já não é o que acontece com Alberto Duarte. O morador de São João de Meriti, na Baixada do Rio, comprou estátuas de plástico do Cristo Redentor e já tinha conseguido vender 20 peças por volta das 19h. Enquanto Francisco falava no palco para o público, Alberto cantava seu grito de guerra para vender o objeto sem nem se importar com o pontífice. “Eu lá quero ver papa? Eu quero é dinheiro no bolso [risos]”, disparou.

Edson Reis tem sangue de comerciante e confessou que o preço do guarda-chuva sobe quando as gotas começam a cair. "De R$ 20 vai para R$ 30", contou. E se dependesse de Preta da Bahia, o calçadão de Copacabana virava salão de beleza. Com mãos ágeis, a soteropolitana caprichou nos tererês e dreads dos peregrinos que queriam enfeitar os fios com tranças: “Eu demoro uns 30 minutos em cada cabelo. Para gringo a gente cobra mais um pouco, porque o cabelo dele é mais fino, requer mais técnica para trabalhar”.

Faturamento fraco

Quem não está gostando nada da JMJ na cidade são os taxistas. Segundo Arnaldo Nogueira, taxista há seis anos, o movimento está fraco para as cooperativas e os motoristas estão "batendo cabeça" por causa da falta de passageiros.

"Com todo respeito do mundo: peregrino é pobre [risos]. Eles chegaram na cidade com esse cartão do ônibus [do kit peregrino] e não pegam táxi. Fora isso, a cidade está um caos de trânsito, então ninguém sai de casa. O carioca mesmo deixou a cidade para evitar a confusão. Turista que vem no fim de semana é uma outra, peregrino com cartão é outra", comentou.

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas