Peregrinos caminharão da Central do Brasil até Praia de Copacabana. Custos teriam sido assumidos pela Igreja

Um tenso e irritadiço Eduardo Paes (PMDB) assumiu nesta sexta-feira (26) as responsabilidades pelas falhas de organização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em entrevista em que foi anunciada a nova programação para a peregrinação e a vigília do evento, antes previstas para Guaratiba (zona oeste do Rio), local inviabilizado pelas chuvas que inundaram o terreno que estava sendo preparado para receber os fiéis.

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Agora, informou o prefeito do Rio, a programação é que a peregrinação, em vez dos 13 quilômetros previstos anteriormente, tenha 9,5 quilômetros, comece na Estação Central do Brasil, em frente ao Campo de Santana (Centro), e passe pelas Avenidas Presidente Vargas e Rio Branco, pelo Aterro do Flamengo, Enseada de Botafogo, rua Lauro Sodré, Túnel Novo e termine na Avenida Princesa Isabel. A caminhada começará às 7h de amanhã.

Soldados tentam caminhar na enlameada Guaratiba, nesta quinta-feira
AP
Soldados tentam caminhar na enlameada Guaratiba, nesta quinta-feira

Ele disse, no entanto, que a decisão de levar o evento a um local mais pobre, fora da zona sul, foi um "pedido da Igreja Católica". "A Igreja pediu um evento que não fosse em Copa (cabana), mas na zona oeste ou norte. A zona norte é muito adensada. Até se pensou no Campo dos Afonsos, depois na Base Aérea do Galeão, não foi possível por dificuldades das Forças Armadas de desmobilizar armamentos. Buscou-se um lugar menos adensado."

Paes afirmou não saber se o terreno pertence ao empresário de ônibus Jacob Barata.Questionado sobre a escolha do terreno em Guaratiba, o prefeito afirmou que todos os custos de sua preparação foram assumidos pela Igreja Católica. "O prefeito está aqui para assumir todas as responsabilidades pelo poder público. A visita do papa é uma honra. Não vamos transformar em problema. O que estamos vendo nas ruas é alegria", afirmou.

Réveillons

Paes comentou a transferência inesperada e pediu compreensão dos moradores do bairro. "Peço a colaboração dos moradores de Copacabana que terão de enfrentar cinco Réveillons seguidos (em alusão aos eventos que vem acontecendo no bairro)."

Na última terça-feira, Copacabana recebeu uma Missa de Acolhida, presidida pelo arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta. Na quinta-feira, a orla voltou a acolher os peregrinos para a cerimônia de boas-vindas realizada pelo papa Francisco.

Nesta sexta-feira, será a vez da Via Crúcis, em que será encenada a crucificação de Jesus Cristo, também com a presença do pontífice. No sábado e domingo, ocorrerão a vigília e a missa de despedida do papa, respectivamente.

Contradição

Questionado por jornalistas, Paes afirmou que será permitido aos peregrinos dormir na praia de Copacabana. Ele pediu aos fiéis que quiserem permanecer nas areias que levem sacos de dormir, pois barracas serão proibidas.

Já o secretário municipal de transportes, Roberto Osório, incentivou os fiéis a dormir em Copacabana, temendo problemas logísticos como os ocorridos nos últimos eventos na orla, quando milhares de pessoas tiveram dificuldades para deixar o bairro, superlotando ruas e transportes públicos.

Logo em seguida, entretanto, Paes contradisse Osório, dizendo que, embora a permanência no local seja permitida, os peregrinos deveriam, na medida do possível, voltar para casa. Para facilitar a mobilidade dos fiéis, a Prefeitura montou, em cima da hora, um esquema especial de trânsito, com a interdição total das ruas em Copacabana a partir das 12h de sábado.

Os sistemas de trem, ônibus e metrô funcionarão 24h e não haverá venda de bilhetes em horários pré-determinados, como ocorreu para esta quinta e sexta-feiras. O fechamento das ruas para a nova rota de peregrinação será válido a partir das 7h do sábado.

*com Agência Estado e BBC Brasil

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