“A fé de vocês é mais forte que o frio e a chuva”, disse o papa parabenizando os fiéis em evento em Copacabana

Bandeiras de vários países enfeitaram a orla de Copacabana durante a esperada Festa de Acolhida ao papa Francisco. A emoção tomou conta dos cerca de um milhão e meio de pessoas. Durante seu passeio de papamóvel pela avenida Atlântica o pontífice acenou para a multidão e continuou abençoando crianças pelo percurso e iniciando, assim, o segundo ato da Jornada Mundial da Juventud 2013, no começo da noite da quinta-feira (25).

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“Consegui vê-lo. Fiquei muito emocionada. Valeu muito a pena. É um dia que não vou esquecer nunca”, contou Neide Silva, moradora de Madureira, que fica na zona norte do Rio. Neide levou o filho caçula para assistir a missa e tentar conseguir uma benção do papa. “Eu queria que ele me pegasse no colo. Meu coração acelerou na hora que ele passou”, disse o garotinho de 6 anos, que também se chama Francisco.

A pequena Maria Clara, de 9 anos, subiu nas costas dos pais e saiu satisfeita com uma foto do papa enquanto ele passava pela orla. “Estou com um sentimento de paz. Acho que era isso que ele queria nos trazer”, disse a menina. A família inteira se reuniu para participar da Festa de Acolhida. Seu irmão João Pedro, de 13 anos, fez um vídeo do rápida passagem do papa e também ficou satisfeito com o resultado.

“Deu para ver só um pouco. Mas, esse dia será inesquecível para mim”, falou João, que estava acompanhado do pai Douglas Trindade, e da mãe, Valéria Maranhão. “Nós moramos em Botafogo. Como é perto, fiz questão de trazê-los. Eu vi o Papa João 2º quando veio ao Brasil e ficou marcado na minha memória. Quero a mesma lembrança para meus filhos”, explicou Douglas.

 Aline Fischer na festa de Acolhida do papa Francisco
Vivian Fernandez
Aline Fischer na festa de Acolhida do papa Francisco

Para Aline Fischer valeu a pena as longas 17 horas de viagem. “É uma sensação única. Esse papa é muito especial para os jovens. Tem nos dado conselhos sábios. Tenta falar nossa língua. Estou muito feliz por ter conseguido ver, mesmo que de longe. A primeira coisa que fiz depois de vê-lo foi ligar para alguns amigos que não puderam estar aqui. E voltando para Caxias do Sul, levarei um pouco dessa experiência para minha paróquia”, comentou Aline, que está com um grupo de 340 jovens.

Todos queriam ver o papa um pouco de perto. Tudo era válido para tentar ver um pouco da festa. Tinha pessoas em cima do caminhão de lixo, em árvores e nas janelas, e também com binóculos. Mas, após sua passagem de papamóvel, o público sentiu falta de ouvir a cerimônia.

“Não dá para ouvir nada. Meu filho me levantou e eu até consegui ver um pouco, mas queria assistir à missa. Para ficar na chuva sem ouvir o papa é melhor ir para casa e tentar ver da televisão”, reclamou a senhora Enir Isabel Coelho, de Curitiba.

Um grupo de italianos improvisou ouvindo a missa do rádio.

A fila do banheiro também virou um problema depois da passagem do papa Francisco. “A gente esperou ele passar para ir ao banheiro. E agora olha o tamanho da fila. Vou ficar mais de 30 minutos esperando e vou perder a missa”, falou Eliane Fortes, do Pará. “Mas, a gente não pode querer tudo. É muito peregrino para pouco espaço. Faltou organização e respeito com pessoas que vieram de tão longe”, finalizou.

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Uma família de Santarém do Pará chegou com a esperança de entregar ao papa um abajur feito de palha de buriti. “Nós somos do grupo ‘Sentinelas da Manhã’ e nossa intenção é conseguir entregar esse presente. Foi feito com muito carinho e mostra a nossa cultura”, contou Suelen Mara. “Passamos por muitas dificuldades para estar aqui. É uma vitória para nós jovens”, disse Felipe, de 15 anos, contando que já até sonhou com a entrega da lembrança.

Luis Felipe, Harlene de Jesus, Jaberson Mendes, Suellen Mara e Gilson Colares, família de Santarém/PA
Vivian Fernandez
Luis Felipe, Harlene de Jesus, Jaberson Mendes, Suellen Mara e Gilson Colares, família de Santarém/PA

“Maratona da fé”. Foi assim que Paula Silva intitulou sua participação na JMJ. Paula saiu de Campinas com a mãe e uma amiga para acompanhar ativamente a Jornada. “Fomos receber o papa no centro da cidade, em Aparecida, estamos aqui hoje, e também íamos à Guaratiba. Agora, nosso roteiro vai ficar por Copacabana”, revelou.

Para a alegria dos peregrinos a chuva deu uma trégua no começo da missa. Centenas de voluntários ajudavam na organização. Para uma situação de emergência, eles montaram um cordão de isolamento com saída estratégica para a Avenida Princesa Isabel – que dá acesso a saída de Copacabana.

No palco, o papa Francisco recebeu as boas-vindas dos jovens, e agradeceu a acolhida na “Cidade Maravilhosa”. Após a missa os peregrinos ainda estavam na expectativa de ver o papa ir embora. O papamóvel passou pela avenida Princesa Isabel vazio, causando tumulto no final do evento. “Foi só um susto, não era o papa”, disse um peregrino, que já estava procurando um lugar alto para ter uma visão melhor.

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