Em Guaratiba, R$ 500 mil foram 'pelo ralo' com mudança de última hora

Por O Dia |

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Vigília e missa saem do bairro da zona oeste para a Praia de Copacabana em mais uma mudança nos planos

A chuva fina que cai no Rio desde terça-feira (23) alagou mais ainda o Campus Fidei, em Guaratiba, e os principais eventos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que seriam realizados lá amanhã e domingo, foram transferidos para a Praia de Copacabana.

A prefeitura afirma ter investido R$ 6 milhões em serviços de drenagem de rios, além da instalação de redes elétricas, recapeamento de asfalto e outros serviços no entorno do campus, que ficarão como legado para os moradores da região. Mas R$ 500 mil, pelo menos, foram jogados no lixo.

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Organização da JMJ transfere eventos de Guaratiba para a praia de Copacabana

AP
Soldados tentam caminhar na enlameada Guaratiba, nesta quinta-feira (25)

O dinheiro foi empregado na construção de quatro passarelas provisórias para facilitar o acesso. Quinze carretas carregadas com kits-alimentação são outra preocupação. O material seria distribuído no trajeto de 13 km em Guaratiba, e ainda não se sabe qual a maneira de entregar os kits em Copacabana.

O anúncio da mudança de local da vigília e da Santa Missa foi feito ontem à tarde pelo prefeito Eduardo Paes e caiu como uma bomba para moradores dos dois bairros, além de peregrinos. “Não foi só inviabilidade estética. As chuvas podiam colocar a saúde das pessoas em risco”, afirmou o prefeito.

O Comitê Organizador Local (COL) da Jornada não disse quanto foi gasto na infraestrutura construída em Guaratiba. Cita apenas o valor total empregado no evento: R$ 300 milhões — 60% a 70% dos recursos vieram das contribuições dos fiéis inscritos. Fonte do Col, no entanto, garantiu que só a terraplanagem do Campus Fidei tinha estimativa de custar R$ 22 milhões.

Técnica feita em gramados

Para o arquiteto urbanístico Pedro da Luz Moreira, diretor do Instituto dos Arquitetos do Brasil e professor da UFF, o recurso que se usa para drenagem em terrenos como o de Guaratiba é o mesmo empregado em campos de futebol.

“Cavam-se valas na área, nas quais são inseridas manilhas do tipo espinha de peixe. Depois, essas manilhas são envelopadas com brita, recobertas com gel têxtil e as valas são fechadas. Quando chove, a água escorre para essas manilhas e caminha em direção a um rio. Por cima, põe-se areia lavada ou grama”, ensina Pedro.

Um ano e meio de trabalho

O choro tomou conta ontem das pessoas que fazem a organização da vigília e da missa de encerramento da Jornada em Guaratiba quando foi anunciada a transferência do evento. O clima era de frustração e tristeza, já que desde janeiro de 2012 a equipe trabalhou duro para que o evento fosse realizado na zona oeste.

Mas não houve muito tempo para lamentações. Passado o choro, foi a hora de arregaçar as mangas para tentar transferir a estrutura de Guaratiba para Copa. Além da distribuição dos kits, tenta-se uma forma de levar 2 mil banheiros químicos para a praia.

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