Pequena paróquia da Rocinha vira ponto turístico para peregrinos da JMJ

Por iG Rio de Janeiro - Nina Ramos |

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Francisco Paiva, coordenador da Nossa Senhora da Boa Viagem, define a favela como “grande feijoada”

A pequena igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, que fica no coração da Rocinha, comunidade da zona sul do Rio de Janeiro, vive uma rotina muito agitada pela Jornada Mundial da Juventude. Desde 1937, a construção simples, mas acolhedora, recebe fieis da região, mas nunca havia se tornado uma atração, como agora: a capela virou ponto turístico para os peregrinos que visitam a cidade nesta semana.

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Jean, peregrino de Curitiba, chegando na Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem. Foto: Vivian FernandezJean, peregrino de Curitiba, chegando na Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem. Foto: Vivian FernandezJean, peregrino de Curitiba, chegando na Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem. Foto: Vivian FernandezJean, peregrino de Curitiba, chegando na Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem. Foto: Vivian FernandezJean, peregrino de Curitiba, chegando na Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem. Foto: Vivian FernandezAline recebendo Jean, peregrino de Curitiba. Foto: Vivian FernandezAline recebendo Jean, peregrino de Curitiba. Foto: Vivian FernandezVoluntários com Jean. Foto: Vivian FernandezJean e Aline. Foto: Vivian FernandezJean e Aline, Sofia(sobrinha) e Maria, mãe da Aline. Foto: Vivian FernandezSofia (sobrinha) e Maria, mãe da Aline. Foto: Vivian FernandezDouglas, Sofia(sobrinha) e Maria, mãe, Aline e Jean. Foto: Vivian FernandezPeregrinos de Santa Catarina. Foto: Vivian FernandezPeregrinos de Santa Catarina. Foto: Vivian FernandezPeregrinos de Santa Catarina. Foto: Vivian FernandezPeregrinos de Santa Catarina. Foto: Vivian FernandezPeregrinos de Santa Catarina. Foto: Vivian FernandezPeregrinos de Santa Catarina. Foto: Vivian FernandezPeregrinos de Santa Catarina. Foto: Vivian FernandezPeregrinos de Santa Catarina. Foto: Vivian FernandezPeregrinos de Santa Catarina. Foto: Vivian FernandezPeregrinos de Santa Catarina. Foto: Vivian FernandezPequena paróquia da Rocinha vira ponto turístico para peregrinos da JMJ. Foto: Vivian FernandezPeregrinos de Santa Catarina. Foto: Vivian FernandezPeregrinos de Santa Catarina. Foto: Vivian FernandezPeregrinos de Santa Catarina. Foto: Vivian Fernandez


Com cerca de 100 mil habitantes, a Rocinha é a maior favela do Brasil e já foi palco de muitos conflitos entre traficantes e policiais. Para quem é de fora, sua imagem pode amedrontar, mas não foi isso que a reportagem do iG verificou nesta terça-feira, 23. No dia em que o papa não tinha compromissos oficiais, os peregrinos aproveitaram para passear pela cidade e alguns foram até a igrejinha com curiosidade e sorriso no rosto.

Francisco Paiva, de 24 anos, é o coordenador-geral da Nossa Senhora da Boa Viagem para a JMJ e recebe os grupos com o comitê organizador. Nascido no Ceará, ele se mudou para o Rio de Janeiro e implantou a Pastoral da Juventude do Meio Popular na comunidade. “A Rocinha tem o diferencial de ser essa grande feijoada. São muitas culturas e pessoas de vários lugares morando aqui. Por isso somos tão felizes e alegres”, contou.

A todo momento, grupos de vários cantos do país entravam pelo portão da paróquia de franciscanos, que é dirigida pelo frei James Ginardi, para conhecer e rezar na capela. “Pela manhã tinha um grupo grande de Manaus, agora vem outro de Santa Catarina e em breve iremos receber nosso primeiro peregrino para abrigar em uma casa da região”, disse Paiva.

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O coração do jovem bate ainda mais rápido quando ele pensa que no sábado, em Guaratiba, estará no palco ao lado do papa Francisco para participar da Vigília e, no dia seguinte, da Missa de Envio. “Eu vou representando a Pastoral da Juventude do Meio Popular e vou fazer de tudo para entregar uma carta pessoal para ele e um presente. É um quadro com a imagem dele feita em grafite”, revelou.

De todos os cantos do País

Vivian Fernandez
Grupo de Santa Catarina chega à paróquia

Um dos grupos de visitantes da paróquia nesta terça era da cidade de Concórdia, em Santa Catarina. Frei Jeã Paulo Andrade, de 27 anos, foi o intermediador do encontro e levou 49 pessoas para rezar na favela carioca. “Nós chegamos hoje, viajamos de ônibus por 23 horas, deixamos as coisas em Santa Cruz, onde estamos hospedados, e viemos para cá”, falou o jovem, que é catarinense mas trabalhou dois anos no Rio.

“Eu tenho muita saudade do Rio. É uma cidade muito especial para mim. Quando começaram os preparativos da JMJ e eles souberam da minha ligação com o Rio, logo assumi a posição para trazer as pessoas para cá”, contou Jeã.

Apesar da longa estrada, o cansaço passava longe dos rostos dos catarinenses, assim como o frio. “Lá em Santa Catarina estava nevando! Ainda aguentamos ficar sem casaco, de chinelo e tomar banho gelado no inverno carioca”, brincou um peregrino.

Emoção e fé nas vielas da Rocinha

Junto com o seu comitê organizador, foi Paiva quem coordenou a chegada do peregrino Jean Lucas Tonial, de 26 anos, que resolveu participar da Jornada de última hora e ficou sem hospedagem com seu grupo de Curitiba: “Eles estão em Campo Grande. Eu nem comprei o kit peregrino. Decidi viajar de supetão e, como conhecia um frei que tinha o contato com o pessoal da Nossa Senhora da Boa Viagem, vim para a Rocinha”.

Vivian Fernandez
Jean ao chegar na paróquia na Rocinha

A recepção na comunidade, segundo Jean, não poderia ser melhor. Na paróquia, Paiva e o cão Pedro, que cumprimenta cada fiel que chega por lá com uma lambida, entregaram para Jean a camiseta da JMJ. Uniformizado, peregrino e guias começaram a subir as vielas da Rocinha até a moradia escolhida para o jovem se hospedar.

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Quem nos recebeu na porta com um animado “amém” foi a estudante de letras Maria Aline Silva Martins, de 18 anos. Ela é voluntária da JMJ e inscreveu sua residência para abrigar até quatro peregrinos de qualquer nacionalidade (já que fala inglês). “Eu já estava achando que não iriam me escolher por minha casa ser na Rocinha. Acho que ainda existe medo, preconceito. Mas que bom que ele veio. Nós estávamos na expectativa”, falou.

A mãe da menina, dona Maria, de 46 anos, foi quem ensinou o caminho da religião católica para a família. Devota de Nossa Senhora das Graças e São Francisco de Assis, ela estava tão satisfeita quanto a filha com a chegada do peregrino: “Aqui na Rocinha também tem muita gente boa e trabalhadora. Não é só coisa ruim que acontece”.

O próprio Jean se surpreendeu quando começou a subir as ruas da comunidade. “A ideia que eu tinha era bem diferente. Aqui, o pessoal é simpático, te ajuda, até dá dois beijos. Em Curitiba é só um beijo e o povo é mais fechado. E o visual daqui é lindo. Eu estou adorando”, afirmou.

Para a programação da semana, além dos eventos oficiais com o papa, Maria Aline deve levar Jean ao Corcovado (“se eu não for, eu tenho um treco”). “Acho que o legal desse encontro é porque temos um único objetivo em comum que é a fé e a experiência que teremos com Deus e os outros participantes da JMJ”, declarou a jovem.

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