Visita do Papa é esperada como bênção em Varginha

Por O Dia | - Atualizada às

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Moradores da área com baixo IDH acham que terão mais infraestrutura após evento

O anúncio da primeira visita do Papa Francisco a uma favela carioca, em julho, paraparticipar da Jornada Mundial da Juventude, foi recebido com alegria pelos fiéis moradores da comunidade da Varginha, no Complexo de Manguinhos. Apesar do clima de celebração e de boas-vindas, famílias da recém-pacificada favela da zona norte do Rio esperam que a passagem de Sua Santidade desperte a atenção das autoridades para a comunidade que vive em precárias condições e tem um dos mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade.

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No local escolhido pela segurança do Vaticano, o líder dos católicos será recebido por cinco famílias da comunidade, conforme antecipou a coluna ‘Informe do Dia’. “Será uma bênção para todos nós”, comemorou a aposentada Josefa Tajino da Silva, 76 anos. Moradora da favela há mais de três décadas, a paraibana espera que sua família seja uma das agraciadas para receber a visita do Sumo Pontífice. “Nunca vi um Papa. Desta vez, quero ver ele bem de pertinho. Vou ficar muito feliz se puder dar um abraço nele”, sonha Josefa.

Alexandre Vieira / Agência O Dia
Expectativa é que seja dragado rio que separa a comunidade do Mandela: quando chove, transborda e inunda casas

Como ela, os moradores da Varginha esperam há anos pela despoluição e dragagem do rio que separa a comunidade da favela do Mandela. “Queremos que o rio seja limpo. Quando chove, a água invade as casas”, conta. Para o taxista Assis Emídio, 40, a vinda do Papa Francisco renova a esperança de dias melhores para sua filha, Maria Júlia, 6. “A coleta de lixo é ruim e a tubulação de água e esgoto é muito antiga”, reivindica o morador.

Esperança de reativação de capela e de mais serviços

Uma das duas capelas da Favela da Varginha está abandonada e tomada pelo lixo. Ao lado dela, funcionava um centro comunitário e uma lavanderia coletiva que fecharam as portas. O único movimento é no Dia de São Sebastião, padroeiro do Rio, quando a igrejinha abre as portas para a procissão de fiéis.

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“Havia vários cursos para os jovens. Agora não tem mais”, lembra uma moradora, que viu o Papa João Paulo II, em 1997, quando ele esteve no Rio de Janeiro para participar do Encontro com as Famílias. “Eu estava visitando meu filho no presídio, quando o Papa João Paulo passou em frente à Rua Frei Caneca. Agora vou poder ver de novo um Papa da minha casa”, emocionou-se a moradora, que não quis se identificar.

Para as famílias, o futuro dos jovens da região é a maior preocupação. “A vinda do Papa será muito boa para a comunidade. Espero que se fizerem alguma melhoria para a chegada dele não fique só na maquiagem. Precisamos que invistam em mais educação e ofereçam cursos para nossos filhos”, disse a dona de casa Cristiane Virgínia da Silva, 32 anos, mãe de três meninas com idades entre 5 e 12 anos.

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