TJ-RJ omite nomes de juízes criminais por segurança

Por Agência Estado |

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Segundo Conselho Nacional de Justiça, Tribunal de Justiça lidera o ranking de magistrados ameaçados em todo o país

Agência Estado

Há cerca de um mês, o Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) passou a omitir os nomes de magistrados nas notícias, divulgadas pela assessoria de imprensa em sua página na internet, sobre decisões judiciais em processos criminais. A mudança não atingiu profissionais da área cível. A medida teria sido tomada após uma solicitação da Comissão de Segurança Institucional do tribunal, presidida por um desembargador, e composta por cinco juízes e um coronel da PM (que é o diretor geral de Segurança Institucional). Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o TJ do Rio lidera o ranking, em números absolutos, de magistrados ameaçados em todo o País. Oficialmente, a corte fluminense diz que a não divulgação dos nomes dos magistrados "é fruto da nova Política de Comunicação Institucional adotada pelo Tribunal, em consonância com a Lei Federal 12.694/2012".

Ameaça: A cada três dias, um juiz sofre ameaças no Brasil

Ouvidos pela reportagem sob a condição de anonimato, magistrados (inclusive alguns que já foram ameaçados em razão de seu trabalho) se mostraram surpresos com a mudança de procedimento do tribunal, mas não souberam dizer se houve novos casos de intimidações contra colegas. Indagado pela reportagem, o TJ-RJ não informou se a medida foi tomada devido a novas ameaças feitas a seus juízes e desembargadores.

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Os nomes dos magistrados, entretanto, continuam sendo publicados normalmente na internet a cada manifestação deles nos processos criminais, inclusive nas sentenças. Para isso, é preciso consultar os processos pelo número ou pelos nomes dos réus.

Inspirada na legislação italiana que criou a figura dos "juízes sem rosto" para combater a máfia, a lei 12.694 admitiu a possibilidade de um juiz de primeira instância, que se sinta ameaçado, convocar um colegiado (formado por outros dois colegas) quando tiver que tomar decisões contra integrantes de organizações criminosas. De acordo com a legislação, a competência do colegiado limita-se ao ato para o qual foi convocado. As reuniões poderão ser sigilosas "sempre que houver risco de que a publicidade resulte em prejuízo à eficácia da decisão judicial".

A lei foi sancionada em julho do ano passado, poucos dias antes do primeiro aniversário do assassinato da juíza Patrícia Acioli, conhecida por combater o crime organizado em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. E entrou em vigor em outubro.

Magistrados ameaçados
Levantamento da Corregedoria Nacional de Justiça mostra que o TJ do Rio tinha registrado de julho de 2011 a março deste ano 29 magistrados ameaçados, ficando em primeiro lugar no ranking em números absolutos. A quantidade é a mesma registrada em agosto de 2012, quando foi divulgada a última pesquisa sobre o assunto.

No total, o levantamento do CNJ revela que 202 magistrados sofreram represálias em função de seu trabalho neste período. A quantidade, no entanto, não significa que todos estejam ameaçados atualmente, pois a situação de alguns pode ter sido resolvida, informou o CNJ. As ameaças mais frequentes são de morte e à família do magistrado.

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