Zona Oeste vai ter quatro ‘UPPs temporárias’ para a visita do Papa

Por Raphael Gomide - iG Rio de Janeiro |

compartilhe

Tamanho do texto

Comunidades de Antares, do Rola, Cesarão e Aço serão ocupadas pela Polícia Militar antes do início da Jornada Mundial da Juventude. PM ficará de 10 dias a duas semanas

André Luiz Mello / Agência O Dia
Favelas de Santa Cruz serão ocupadas durante a JMJ. Bope tomou o Cerro-Corá, perto de onde o Papa ficará

A Polícia Militar do Rio vai ocupar ao menos quatro comunidades dominadas pelo tráfico, na zona oeste da cidade, durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

Fernando Quevedo / Agência O Globo
Policiais em operação em Antares, que será ocupada, durante a JMJ

Serão tomadas as favelas de Antares, do Rola, do Cesarão e do Aço (todas em Santa Cruz), consideradas violentas e comandadas por criminosos com armamento pesado. Em todas elas, a polícia vai entrar algum tempo antes do início do evento e sair um pouco depois, até o fim do escoamento de saída dos visitantes.

Leia mais: Ocupação para nova UPP no Cerro-Corá entra “na conta do Papa”

Serão espécies de UPPs temporárias, que vão durar de dez dias a duas semanas.

No fim de abril, a Polícia Militar já ocupara o Cerro-Corá, morro que fica a 4km e na mesma cadeia montanhosa do Sumaré, onde fica a residência oficial do arcebispo do Rio, que hospedará o Papa. Nesse local, será implantada uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Leia ainda: Ações desastradas, acidentes e fraudes expõem descontrole do Saer

Reprodução Facebook
Gelson Domingos fazia a cobertura jornalística da operação policial quando foi baleado

O objetivo da medida preventiva é estabilizar a área e evitar qualquer tipo de episódio de violência na região, no período, e que repercuta negativamente no momento em que as atenções da mídia estarão voltadas para a cidade.

A favela de Antares é violenta e ficou conhecida nacionalmente por ter sido o local onde foi morto, com um tiro, o cinegrafista da TV Bandeirantes Gelson Domingos da Silva. A comunidade do Rola foi cenário de um dos vídeos polêmicos gravados pela Polícia Civil, em que policiais aparecem mudando de lugar o corpo de um homem morto, para forjar morte em confronto.

As quatro comunidades ficam na região que receberá grande número de eventos da Jornada, entre eles dois Atos Centrais, com a presença do Papa Francisco, em Guaratiba.

Agência O Globo
Antares é dominada por traficantes fortemente armados

Além disso, os bairros de Campo Grande e Santa Cruz – onde estão as comunidades – são, respectivamente, os dois locais com maior procura de hospedagem na cidade, segundo o tenente-coronel da PM Edison Duarte, chefe do Escritório de Assuntos para a Copa do Mundo-2014 e Jogos Olímpicos-2016 (Grandes Eventos).

A favela do Rola foi alvo de operação do Saer (Serviço Aeropolicial) e da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais, da Polícia Civil), com cinco mortos, cuja filmagem foi divulgada pela imprensa. Na ação, policiais aparecem removendo o corpo de um homem desarmado morto, de dentro de uma casa até um bar a 70 metros de distância para forjar suposto confronto com a polícia.

Leia tudo sobre: PMUPPAntaresRolaCesarãoAçofavelaJMJ 2013jmjjornada mundial da juventudepapa francisco

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas