Pastor acusado de estupro já foi denunciado por ameaça de morte

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Filho do pastor Marcos Pereira negou em depoimento que grupo teria coagido fiéis em visitas

Antes de a Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) prender o pastor Marcos Pereira e trazer à tona acusações de estupros, homicídios, associação ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e maus-tratos contra ele, o religioso já era investigado na 64ª DP (Vilar dos Teles) num inquérito por coação.

No ano passado, dois ex-frequentadores da Assembleia de Deus dos Últimos Dias relataram ter sofrido ameaças de grupo ligado a Marcos, logo após terem feito denúncias à Dcod. O Ministério Público denunciou o pastor por dois estupros.

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Nesta quarta-feira, o filho de Marcos, Felipe Madureira, esteve na delegacia, onde confirmou a ida de parte do grupo à casa das vítimas, mas negou que tenha havido alguma ameaça verbal.

Alessandro Costa / Agência O Dia
Amelia mostra foto da filha, Adelaide, morta em 2006: jovem disse que pretendia gravar supostas orgias feitas pelo pastor

Na próxima semana, o delegado Delmir da Silva Gouvea deve ir ao presídio Bangu 2, no Complexo de Gericinó, Zona Oeste, para interrogar o pastor. Embora a presença dele no episódio não tenha sido relatada pelas vítimas, o religioso seria o mandante da intimidação.

O crime teria ocorrido em março de 2012. Na ocasião, por duas vezes, segundo as vítimas, o filho do pastor e outros quatro homens teriam ido a seus endereços e feito ameaças do lado de fora da casa. Uma das pessoas, que estava escondida no imóvel, ouviu quando gritaram: “Toma cuidado! Fica ligado com o que você fala”.

Pena de até quatro anos
Quatro acusados já foram ouvidos. Caso sejam indiciados por coação, os suspeitos podem pegar de um a quatro anos de prisão.

Na Dcod, outras duas testemunhas serão ouvidas esta semana. De acordo com o delegado Márcio Mendonça, as vítimas relatam abusos sexuais sofridos dentro da igreja, sendo que uma delas, segundo depoimento preliminar, teria sido estuprada aos 14 anos.

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A outra, após sofrer ameaças de morte, deixou o estado do Rio e segue escondida. A polícia acusa o pastor Marcos de abusar de mulheres na igreja, em casas de fiéis e em seu apartamento, em Copacabana.

Trinta testemunhas foram ouvidas na Dcod, sendo que pelo menos 20 mulheres afirmaram ter sido vítimas do religioso.

Mãe promete lutar pelo sonho da filha
"Não saio mais de casa. Tenho medo, mas vou lutar pelo sonho da minha filha: ver o pastor ser desmascarado". Para Amelia Pinheiro, Adelaide Nogueira foi assassinada em 2006 a mando de Marcos.

A menina, 25 anos, enforcada com um cabo por Geferson Rodrigues dos Santos, sobrinho do religioso, em companhia de Marcelo Saint Clair, ex-namorado da vítima, e Marcelo Rodrigues, queria investigar os crimes cometidos por Marcos. A Dcod apura a participação do pastor no homicídio.

Uanderson Fernandes / Agência O Dia
Pastor Marcos durante pregação na igreja dele, em São João de Meriti

“Ela queria gravar as orgias com minigravador. O Geferson contou vários casos, e ela chegou a ver a entrega de dinheiro a traficantes. A morte não foi por ciúmes”, disse Amelia, referindo-se ao motivo da condenação dos suspeitos.

Vítima sabia que seria assassinada
O corpo de Adelaide foi encontrado no Rio Jacutinga, em Nova Iguaçu. Segundo a mãe, a filha sabia que seria morta e, por isso, já vinha se escondendo. Antes de morrer, ela chegou a ser espancada pelo ex-namorado e a ficar fora de casa por algumas semanas.

“O pastor espalhou na igreja que ela tinha um caso com outro homem. Este foi o motivo para parecer que o Marcelo a matou por ciúmes. Mas ela já tinha dito na igreja que iria denunciar tudo”, contou Amelia, emocionada.

Levada por amigas, a vítima frequentou a igreja por oito meses e chegou a comprar cortes de panos, roupa usada pelas fiéis.

Depois de descobrir casos de estupros, ela deixou o templo e terminou o relacionamento com Saint Clair, já que afirmava que ele não tinha largado o crime. “Ela sempre dizia que os ex-bandidos continuavam cometendo crimes para o Marcos”.

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