Pastor Marcos cobrava cachês a traficantes para pregar em bailes

Por O Dia | - Atualizada às

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De acordo com testemunha, religioso chegava a receber R$ 20 mil pela presença em eventos e cobrava 10% do faturamento total dos traficantes para que eles tivessem a alma purificada

Alexandre Brum / Agência O Dia
Pastor Marcos na igreja em São João de Meriti: pura encenação, segundo antigo ajudante do líder religioso

A ligação do pastor Marcos Pereira com traficantes pode ter ido muito além da ‘salvação espiritual’. Nova denúncia feita nesta segunda-feira (13) aponta que o religioso teria recebido altos cachês para pregar em bailes funk e que pedia aos criminosos convertidos doações de 10% de tudo o que eles faturaram durante a vida no tráfico para ‘purificar a alma’.

A testemunha que prestou depoimento ontem na Delegacia de Combate às Drogas contou que foi agredida pelo pastor e ameaçada de morte, pois teria namorado uma fiel da Assembleia de Deus dos Últimos Dias.

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O homem afirmou que trabalhou na igreja e que também chegou a pregar nos bailes das comunidades. Segundo ele, criminosos chegavam a pagar R$ 20 mil pela presença do pastor nos eventos.

Num baile em Acari, a testemunha foi informada por um traficante que Marcos teria dito aos bandidos da comunidade que ele era ‘X-9’ (delator).

Segundo o ex-fiel da igreja, ele escapou da morte porque o traficante voltou atrás. “Ele (bandido) disse que ‘o verdadeiro pastor dá a sua vida pelas ovelhas, e não as tira’”, revelou o homem, que saiu da cidade após o ocorrido.

Ainda segundo a testemunha, o pastor agredia crianças que não seguiam a doutrina da igreja. No entanto, na noite de sua prisão, ele levava no Passat (que está registrado em nome da igreja) uma fiel que usava cabelos soltos, o que é contra as normas da Assembleia.

No carro, também estavam duas pessoas que seguiriam com Marcos Pereira para apartamento de R$ 8 milhões em Copacabana. Segundo a polícia, o local também era usado para orgias.

(Reportagem de Vania Cunha)

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