Índios entram em confronto com policiais na Aldeia Maracanã

Por O Dia - Felipe Freire |

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Imóvel está ocupado por indígenas de várias etnias desde 2006, mas governo quer construir museu olímpico no local e ofereceu outros três novos endereços para os moradores ficarem

Índios da Aldeia Maracanã, que ocupam o casarão do antigo museu no bairro, e manifestantes em favor da causa entraram em pequeno confronto com policiais do Batalhão de Choque da PM por volta das 9h20 desta sexta-feira, na frente do imóvel, na Radial Oeste, Zona Norte do Rio.

A confusão começou quando o advogado dos índios Aarão da Providência quis entrar no casarão. Os ocupantes tentaram puxá-lo para dentro, enquanto policiais impediam sua entrada. Manifestantes que estavam próximos correram para ajudar os índios e a polícia reagiu com gás de pimenta. O advogado foi jogado no chão por PMs, que pisaram em sua cabeça e o levaram preso. Cerca de 20 minutos depois, o advogado foi solto, para que sirva de interlocuror na negociação.

Alexandre Vieira / Agência O Dia
Policiais da Tropa de Choque cercam o local, mas indígenas têm liminar

Uma mulher grávida também tentou furar o bloqueio policial e entrar na aldeia. Ela foi contida com força excessiva pelos PMs e presa. Por causa do uso do spray de pimenta um menino indígena de cerca de 4 anos está passando mal dentro de aldeia.

Minutos mais cedo, a advogada Ana Amélia Melo Franco chegou ao local com um mandado de segurança contra a ação do governo para remoção dos índios, impetrado no 24º Juizado Especial Civel da Barra da Tijuca. O desembargador Mario Robert Mannheimer concedeu a liminar, que impede o despejo dos índios. A advogada também entrou com ação popular com 280 assinaturas, afirmando que a medida do governo é irregular e que a documentação de posse do imóvel é obscura.

Clima de tensão em frente ao antigo museu

O clima é de tensão em frente ao antigo Museu do Índio, na Maracanã, Zona Norte do Rio, na manhã desta sexta-feira. Homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar (BPChq) cercam desde a madrugada e há o risco de uma invasão a qualquer momento. O imóvel está ocupado por índios de várias etnias desde 2006, mas o governo quer contruir um museu olímpico no local. O prazo para que os índios deixassem o imóvel, determinado pela justiça federal, terminou à meia-noite desta quinta-feira.

Por volta de 7h40, cerca de sete índios deixaram o prédio espontâneamente por uma escada no muro, entre eles o cacique Tucano. O portão continua trancado por barricadas. Os índios saíram carregados mochilas e pequenas malas. Os demais ocupantes, cerca de 50 pessoas, incluindo crianças, continuam dentro do imóvel e se recusam a sair.

"Os índios estão no muro da aldeia negociando com representes da Alerj, do governo do estado e policiais. O que eles querem é que um índio saia em paz e vá negociar com o governador Sérgio Cabral", disse o índio Afonso Apurinã, que estava no antigo museu desde o início da ocupação, em 2006.

Durante a madrugada, manifestantes simpatizantes com a causa indígena chegaram a bloquear a pista da Radial Oeste e a polícia reagiu com bombas de efeito moral e gás de pimenta. Duas pessoas foram presas. Mesmo com a liberação da via, o trânsito apresenta retenções ao longo da Radial Oeste, sentido Centro, porque carros do Batalhão de Choque ocupam duas faixas da via na altura do casarão do antigo museu. O trânsito também é lento no sentido Zona Norte.

Índios recebem proposta

Indígenas que vivem na Aldeia Maracanã se reuniram com representantes da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos nesta quinta-feira. Eles apresentaram novas propostas ao grupo.

A Secretaria ofereceu três locais para que os índios fiquem até que seja construído o Centro de Referência da Cultura Indígena, na Quinta da Boa Vista. Os locais ficam em Jcarepaguá, na Zona Oeste, ou em Bonsucesso e perto do Morro da Mangueira, na Zona Norte. Os índios se queixam de que o governo não deu garantias da construção do Centro na Quinta da Boa Vista e por isso não querem deixar o antigo museu, no Maracanã.

 

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