Acordo com índios fracassa e Batalhão de Choque invade Aldeia Maracanã

Por O Dia - Felipe Freire | - Atualizada às

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Manifestantes foram contidos com gás de pimenta e bombas de efeito moral

Policiais do Batalhão de Choque invadiram a Aldeia Maracanã, no prédio do antigo Museu do Índio, na Zona Norte, por volta das 11h50 desta sexta-feira. Na ação, foram ouvidos dois tiros vindos de dentro da aldeia e houve confusão e confronto entre índios e policiais, que usaram gás de pimenta. Manifestantes que apoiam a causa dos indígenas, chegaram a bloquear as pistas da Radial Oeste, em frente ao imóvel.

Leia também: Índios entram em confronto com policiais na Aldeia Maracanã

Alexandre Vieira/O Dia
Indígena deixa área do antigo Museu do Índio, no Maracanã

Quando a polícia invadiu o prédio, parte dos índios já havia deixado a aldeia pacificamente, mas um grupo decidiu ficar para fazer um ritual. Entre eles, havia crianças. Nesse momento, a Tropa de Choque invadiu e agiu com truculência contra o grupo. Antes da invasão, os ocupantes atearam fogo em uma oca, dentro da aldeia. O Corpo de Bombeiros foi chamado para controlar as chamas.

A polícia também respondeu com violência ao bloqueio da Radial Oeste e usou cacetetes, bombas de efeito moral e gás de pimenta contra os manifestantes. Alguns deles foram detidos.

O defensor público federal, Daniel Macedo, que estava no local, acredita que a polícia agiu com violência desnecessária.

"Já havia um acordo. Foram pedidos 10 minutos para que os índios deixassem o imóvel de forma pacífica. A polícia não esperou esse tempo. Antes do prazo, eles invadiram o prédio", disse o defensor. "Não precisava terminar desse jeito. A polícia foi truculenta", completou ele, em entrevista para o canal 'Globo News'.

O relações públicas da PM, coronel Frederico Caldas afirmou que os homens do choque tiveram que invadir o prédio para preservar o imóvel.

"A negociação estava concluída e os índios saiam de forma pacífica, até o momento em que eles começaram colocar fogo no prédio. Por isso a polícia precisou entrar para garantir a integridade do edifício", disse o cornel, em entrevista ao 'RJ TV'.

Caldas ainda justificou a invasão afirmando que somente os manifestantes continuavam dentro do terreno. "Não havia mais índios no prédio., apenas manifestantes, que disseram que estavam fazendo uma resistência cultural. Eles começaram a fazer uma dança em volta do fogo e continuaram a colocar fogo no local", afirmou.

Acordo pela paz fracassa

Segundo o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol-RJ), que ajudava na negociação entre representantes indígenas e policiais, o grupo seria levado diretamente para verificar o novo terreno destinado a eles, em Jacarepaguá. De acordo com o deputado, a proposta do governo já estaria sendo redigida por oficiais de Justiça.

Sobre a utilização do prédio como museu olímpico, como quer o governador Sérgio Cabral, o deputado afirmou que a questão será decidida em outro momento. "Isso é discussão mais ampla", disse ele. Freixo defende que o imóvel volte a abrigar um Museu do Índio. O deputado estadual Geraldo Pudim (PR-RJ), que também ajuda nas negociações, confirmou que o acordo foi firmado.

Alexandre Vieira/O Dia
Grupo será levado de ônibus para verificar o novo terreno destinado a eles

Advogado é preso em confronto com policiais

Mais cedo, por volta das 9h20, índios e manifestantes em favor da causa entraram em pequeno confronto com policiais do Batalhão de Choque da PM na frente do imóvel, na Radial Oeste.

A confusão começou quando o advogado dos índios Aarão da Providência quis entrar no casarão. Os ocupantes tentaram puxá-lo para dentro, enquanto policiais impediam sua entrada. Manifestantes que estavam próximos correram para ajudar os índios e a polícia reagiu com gás de pimenta. O advogado foi jogado no chão por PMs, que pisaram em sua cabeça e o levaram preso. Cerca de 20 minutos depois, o advogado foi solto, para servir de interlocuror na negociação.

Uma mulher grávida também tentou furar o bloqueio policial e entrar na aldeia. Ela foi contida com força excessiva pelos PMs e presa. Por causa do uso do spray de pimenta um menino indígena de cerca de 4 anos passou mal dentro de aldeia.

Minutos mais cedo, a advogada Ana Amélia Melo Franco chegou ao local com um mandado de segurança contra a ação do governo para remoção dos índios, impetrado no 24º Juizado Especial Civel da Barra da Tijuca. O desembargador Mario Robert Mannheimer concedeu a liminar, que impede o despejo dos índios. A advogada também entrou com ação popular com 280 assinaturas, afirmando que a medida do governo é irregular e que a documentação de posse do imóvel é obscura. A Secretaria de Assistência Social, no entanto, nega a informação.

Clima de tensão em frente ao antigo museu

O clima é foi de tensão em frente ao antigo Museu do Índio, na manhã desta sexta-feira. Homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar (BPChq) cercaram o prédio desde a madrugada. O imóvel estava ocupado por índios de várias etnias desde 2006, mas o governo quer contruir um museu olímpico no local. O prazo para que os índios deixassem o imóvel, determinado pela justiça federal, terminou à meia-noite desta quinta-feira. O índios, no entanto, se recusavam a sair.

Por volta de 7h40, cerca de sete índio deixaram o prédio espontâneamente por uma escada no muro, entre eles o cacique Tucano. Os índios saíram carregando mochilas e pequenas malas. Os demais ocupantes, cerca de 50 pessoas, incluindo crianças, continuaram dentro do imóvel e se recusaram a sair.

Durante a madrugada, manifestantes simpatizantes com a causa indígena chegaram a bloquear a pista da Radial Oeste e a polícia reagiu com bombas de efeito moral e gás de pimenta. Duas pessoas foram presas.

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