Testemunha aponta comandante como mentor do assassinato de Patrícia Acioli

Por O Dia | - Atualizada às

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Advogada Ana Cláudia Abreu Lourenço revelou ao júri de três acusados de matar a juíza, em agosto de 2011, que tem medo de morrer

A advogada Ana Cláudia Abreu Lourenço, que no dia do assassinato de Patrícia Acioli contou aos policiais do 7º BPM (São Gonçalo) que a juíza havia decretado as prisões deles por outro homicídio, revelou ao júri que tem medo de morrer. Ela ainda acusou o coronel Luiz Cláudio Oliveira, ex-comandante do batalhão, de ser mais perigoso que os demais acusados e de ter dado a ordem para a execução da vítima.

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Severino Silva / Agência O Dia
Réus no primeiro dia de julgamento da morte da juíza Patrícia Acioli

"Há boatos de que ele tem lista de pessoas marcadas para morrer e que estou no meio. Eles foram capazes de dar 21 tiros numa juíza, me fazer uma peneira ou uma Patrícia Amieiro qualquer (engenheira desaparecida após passar por base de PMs, na Barra), pouco custa. Não estou lidando com um réu comum, mas com um comandante de batalhão. Meu temor no processo não é nenhum desses meninos aqui, porque eles não fazem mal a ninguém. Mataram porque cumpriram ordem", disse Ana Cláudia, ressaltando que teria conversado com promotores, mas nunca recebeu escolta.

A advogada prestou depoimento nesta terça-feira no 3º Tribunal do Júri do Fórum de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, onde estão sendo julgados os PMs Junior Cezar Medeiros, Jefferson de Araújo Miranda e Jovanis Falcão, acusados de participação no crime.

Testemunha confirma contato próximo com acusado

Ana Cláudia contou ainda que teria contato mais próximo com o réu Jeferson de Araújo. "Tenho um carinho muito grande por ele, beijava na boca do Jeferson. Ele é meu anjo da guarda porque já me livrou da morte", disse, ironizando depois quando uma das advogadas de defesa a chamou de 'companheira amorosa' do acusado. Na discussão, as duas chegaram a alterar o tom da voz uma com a outra, e o juiz, Peterson Barroso, acabou com a intercedendo.

Ana Cláudia ainda revelou que teria aconselhado Jeferson a aceitar a delação premiada. O réu chegou a colaborar com o informações para o processo, mas depois voltou atrás. "Não há outro caminho pra ele. É isso ou vai sair daqui com uma pena maior que o Sérgio, que atirou nela. Ele falou por livre e espontânea vontade. Alguém no meio do caminho fez ele voltar atrás. Há boatos de que o coronel Cláudio teria ameaçado toda a família dele de morte", acusou.

Condenado nega partes de depoimentos anteriores

Em defesa de um dos três réus julgados, Sérgio Costa Júnior - condenado a 21 anos de prisão em novembro pelo mesmo crime - negou partes dos depoimentos prestados antes. A principal parte negativa foi quando afirmou que, no momento em que o tenente Daniel Benitez contou aos colegas do Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 7º BPM (São Gonçalo) sobre o plano para executar a magistrada, nem todos os réus do processo estavam presentes.

Chamado pela defesa de Júnior César de Medeiros, Sérgio afirmou aos presentes que "a personalidade do soldado Medeiros era calma e prestativa. Até onde sei, ele não sabia da intenção de matar a juíza", alegou. A versão do policial foi desmentida pelo delegado Felipe Ettore, que comandou as investigações do crime na época. Ele ressaltou que todos sabiam do crime, inclusive, o grupo concordou que o espólio de guerra (armas e drogas que os PMs deixavam de apresentar nas ocorrências) seria usado para pagar milicianos que seriam contratados para matar a magistrada. Sérgio ainda confirmou que as armas e drogas apreendidas em ocorrências eram divididas entre o grupo de policiais, mas que não eram vendidas a traficantes.

Ex-chefe da Delegacia de Homicídios aponta participação de comandante

O ex-chefe da Delegacia de Homicídios, José Carlos Guimarães, ratificou, em depoimento na tarde desta terça-feira, o que disse no primeiro dia do julgamento sobre a morte da juíza Partrícia Acioli ocorrido em novembro, confirmando a participação dos policiais no crime.

Gimarães apontou ainda o envolvimento do tenente Daniel Benitez. Segundo ele, Benitez recebia a propina paga pelos traficantes para não reprimir o tráfico de drogas, dividia o valor entre os dez integrantes do GAT e ainda entregava a parte do comandante do 7º BPM, o tenente-coronel Luiz Cláudio de Oliveira. José Carlos Guimarães foi responsável pela investigação do assassinato da juíza e é ouvido no tribunal como testemunha de acusação.

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