Líder do MST é econtrado morto em Campos dos Goytacazes

Por iG São Paulo |

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Polícia ainda tem poucas informações sobre a morte de Cícero Guedes, que levou vários tiros

O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do município de Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, Cícero Guedes, foi encontrado morto neste sábado, com vários tiros pelo corpo. Segundo o delegado Geraldo Rangel, que investiga o caso, Guedes foi encontrado na Estrada da Flora, pequena via que liga a Usina Cambaíba à BR-356.

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A polícia realizou uma perícia no local e o corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML). Ainda não há muitas informações sobre a morte, mas acredita-se que ele foi morto entre a noite de sábado (25) e a madrugada de segunda. Segundo a Polícia Civil, além do delegado Rangel, a chefe da polícia, Marta Rocha, acompanha o caso. Ainda de acordo com a polícia, "medidas cautelares estão sendo adotadas para esclarecer a autoria e a motivação do crime."

Não há informações sobre o enterro da vítima, que deixou cinco filhos. Cícero Guedes morava no assentamento Zumbi dos Palmares, no Sítio Brava Gente, em Campos, desde 2002. Ele foi visto pela última vez ao deixar uma reunião de lideranças do movimento no assentamento Luiz Maranhão, na usina Cambahyba, também em Campos. Nenhum pertence do agricultor foi levado.

O acampamento está localizado em um antigo engenho com sete fazendas em uma área de 3.500 hectares. Cerca de 200 famílias do MST ocupam o lugar desde novembro de 2012. Em nota publicada em seu site, o MST afirma que a área aguarda desapropriação pela justiça há 14 anos. A propriedade pertence aos herdeiros de Heli Ribeiro Gomes, ex-vice governador do Rio entre 1967 e 1971. "A morte da companheiro Cícero é resultado da violência do latifúndio, da impunidade das mortes dos Sem Terra e da lentidão do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para assentar as famílias e fazer a Reforma Agrária. O MST exige que os culpados sejam julgados, condenados e presos", informa a nota.

Uma equipe da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) também está no local acompanhando as investigações. O presidente da comissão, deputado Marcelo Freixo, lamentou a morte do líder comunitário em sua página na internet. "Cícero era uma das mais importantes lideranças do MST. Vamos acompanhar e prestar solidariedade. A maior homenagem ao Cícero é continuarmos na luta pela reforma agrária."

O MST divulgou nota em seu site hoje dizendo que a morte de Cícero Guedes é “resultado da violência do latifúndio”.

“A morte da companheiro Cícero é resultado da violência do latifúndio, da impunidade das mortes dos sem-terra e da lentidão do Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] para assentar as famílias e fazer a reforma agrária. O MST exige que os culpados sejam julgados, condenados e presos”, diz a nota.

*Com Agência Estado e Agência Brasil

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