Indenizações devem ficar para os meus netos, diz vítima de desabamento no Rio

Por Agência Brasil |

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Única decisão tomada até agora é a do MP de denunciar seis pessoas pelo desabamento. "Tenho 72 anos e para mim só deve sair algo no plano espiritual", disse empresário

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Um ano após o desabamento de três prédios que ficavam no perímetro formado pelas avenidas Evaristo da Veiga e Almirante Barroso e a rua Treze de Maio, na Cinelândia, os proprietários das 38 empresas que foram destruídas lutam até hoje na Justiça por indenizações. No desabamento morreram 17 pessoas e cinco continuam desaparecidas.

Após um ano: MP denuncia seis por desabamento de prédios no Rio de Janeiro

Pablo Jacob/Agência O Globo
Prédios que desabaram no centro do Rio ficavam atrás do Theatro Municipal, que não foi abalado

A única decisão tomada até agora é a do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) de denunciar seis pessoas pelo desabamento, a maioria - direta ou indiretamente – ligada à TO Tecnologia Organizacional, empresa responsável pelas obras em dois dos 20 andares do prédio.

Dono de uma empresa de contabilidade no Edifício Colombo, Alexis Santos Ferreira contou que estava instalado no local há mais de dez anos, tinha mais de 100 clientes e ocupava um andar inteiro do prédio – um dos que vieram abaixo em consequência do desabamento do Edifício Liberdade.

"Ocupávamos um andar inteiro do Colombo e não conseguimos recuperar um palito sequer - mas eu não podia deixar meus clientes na mão. Com os R$ 350 mil do seguro e pegando dinheiro emprestado aqui e ali, consegui refazer o meu escritório.

Ele disse ainda que foi um dos poucos que conseguiram se reerguer. "Havia 38 empresas nos três prédios e apenas 20% conseguiram, ainda assim de forma precária – cerca de 80% tiveram que fechar as portas”, lamentou. Santos Ferreira, que hoje é diretor financeiro da Associação das Vítimas da 13 de Maio, acrescentou que a ação movida contra a prefeitura e o condomínio do Edifício Liberdade anda vagarosamente.

“Achamos que a prefeitura foi negligente e a grande responsável pela tragédia. Entramos com processo de ressarcimento de bens materiais. Mas, está nas mãos do juiz, ainda não foi examinado e não tem julgamento marcado. Estou com 72 anos, então para mim só deve sair alguma coisa no plano espiritual. Talvez meus netos consigam receber”, ironizou.

Apesar de ter todo o escritório destruído, Ferreira encontra motivos para se achar uma pessoa de sorte: “Graças a Deus, no meu prédio não morreu ninguém. Foram os anéis, ficaram os dedos. A gente não pode nem lamentar, pois pior foram as vidas humanas que se perderam na tragédia. Se eu tivesse perdido algum funcionário, nem mesmo sei como estaria hoje”, acrescentou.

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