Tráfico de drogas tem ponto ao lado de delegacia no Rio

Por O Dia , Alessandro Lo-Bianco | - Atualizada às

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Rua de Belford Roxo divide espaço entre policiais e traficantes. Segundo moradores, bandidos circulam fortemente armados ao lado de DP e dominam região da baixada

Em Belford Roxo, o crime não toma conhecimento da polícia. Traficantes alojaram boca de fumo na rua Xerém, no bairro de Paim, a menos de 200 metros da 54ª DP. É a unidade que investiga a morte da menina Geovana de Barrros Firmino, de 1 ano, com tiro no peito em tentativa de assalto na noite de quinta. Na subida da rua da delegacia, os dizeres nas paredes: “Pó, crack e maconha.”

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De acordo com o delegado-adjunto Sebastião Nascimento, que cobria o plantão do fim de semana na delegacia, a situação está “complicada” na região. “Aqui mesmo na rua, ao longo destes quebra-molas, não se pode passar na madrugada. Sempre tem assaltos nesta rua. A violência está braba e a região não está segura”, atesta Nascimento.

Severino Silva / Agência O Dia
Boca de fumo funciona a menos de 200 metros do Distrito Policial

Segundo o auxiliar administrativo L., que mora a duas quadras do ponto escolhido pelos traficantes, também ao lado da delegacia, 15 bandidos armados teriam desembarcado de uma Topic branca na última terça-feira. Ele diz que circulam no bairro informações de que os traficantes teriam saído do Jacarezinho, onde foi instalada uma UPP no início da semana.

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“Não é possível que os policiais permitam que esses bandidos vendam drogas numa esquina que fica do lado da própria delegacia. Avistei um policial subindo a rua. Pensei que prenderia alguém, mas ele desceu logo, como se nada estivesse acontecendo”, contou, indignado.

Sistema fora do ar

Na delegacia, surpresa: nenhum boletim de ocorrência registrado das 4h de sábado às 19h de ontem. Um aviso no balcão da delegacia em nome do diretor do Departamento Geral de Tecnologia da Informação e Telecomunicações, André Drumond, alertava sobre parada programada de sistema e banco de dados.

Severino Silva / Agência O Dia
Pais choram durante enterro da menina baleada na Baixada Fluminense, no sábado (19)

Questionado sobre a ‘parada’, um dos inspetores disse: “Realmente é muito tempo fora do ar.” Logo depois, o balconista João Figo chegava para notificar um assalto. Foi orientado a retornar no dia seguinte. “Não posso fazer o BO. Até amanhã os bandidos poderão usar livremente meus dados e meus documentos. Estou pasmo”, lamentou.

Aumenta a violência

De acordo com as últimas estatísticas divulgadas pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), a queda da taxa de homicídios concentra-se na capital. Os índices da Baixada são altos e pouco se alteraram. Nesta, que é uma das maiores concentrações urbanas da América Latina, houve um aumento considerável da violência. Em 2012 foram registrados 1.484 casos de estupro contra 1.233 em 2011, ou seja, 251 casos a mais do que no ano anterior.

Em relação aos latrocínios (roubos seguidos de morte), foram registrados 14 casos além dos ocorridos em 2011, atingindo 32 ocorrências em 2012. Foram registrados também 22.736 furtos em 2012 contra 22.502 em 2011, um aumento de 234 ocorrências. Em relação aos furtos, foram 20.937 em 2012, ou seja, 720 ocorrências a mais em relação as 20.217 registradas em 2011.

Rua do crime

Na rua Nunes Sampaio, no bairro Parque das Palmeiras, onde aconteceu o assassinato de Geovana, os moradores estão assustados. Na manhã de ontem, uma viatura patrulhava a região. Mas, segundo um porteiro que mora na rua há 45 anos e não quis se identificar, os vizinhos da família estão indignados com a mobilização do carro somente após a tragédia.

“Os bandidos passam aqui há tempos dando tiros para o alto. Se fosse uma filha minha nesta situação, eu perguntaria o que adianta a segurança no local depois que o crime ocorre”, questiona. De acordo com a esposa do porteiro, carros sem placas circulam na região com cerca de cinco rapazes dentro.

Revoltado, um auxiliar do IML de Belford Roxo, conhecido na região como ‘Carlão’, desabafou: “O Rio está pacificado, mas a Baixada está largada. O governo levou segurança para toda a cidade, mas esqueceu a gente”. A Secretaria de Segurança não quis comentar.

A mãe de Geovana, Priscila de Barros, deve depor hoje. Câmeras da região foram solicitadas pela polícia. O carro dos bandidos, encontrado na noite de sábado, está na perícia.

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