Mapeamento do Estado do Rio identifica 48 mil pessoas sob risco em 67 cidades

Por Raphael Gomide iG Rio de Janeiro |

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Governo recorreu à Justiça para impedir obras de prevenção a escorregamentos. Sérgio Cabral disse que prazo proposto pelo MP era impossível

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Mais de 500 pessoas morreram em Friburgo, nas chuvas de 2011. Estado identificou 48 mil em risco

O Serviço Geológico do Estado do Rio de Janeiro (DRM-RJ) identificou quase 48 mil pessoas e 11.651 casas sob risco de escorregamentos em 67 municípios no Estado. De acordo com o levantamento, há 2.537 áreas de risco iminente.

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Teresópolis (foto) foi fortemente atingida em 2011 e continua a ter muitas áreas de risco

O iG mostrou que 95 mil pessoas vivem em áreas de alto e médio risco de deslizamentos, apenas na capital fluminense. Uma série de reportagens revelou ainda que, apesar de terem conhecimento da gravidade e dos riscos, o Estado do Rio e as prefeituras da capital e de Nova Friburgo, recorreram à Justiça para impedir a realização de obras de prevenção a escorregamentos, determinadas por liminares obtidas pelo Ministério Público. O presidente do TJ, Manoel Alberto Rebêlo dos Santos, suspendeu ao menos 24 ações, em blocos.

Leia também: Cidade do Rio tem 95 mil pessoas em áreas de alto e médio risco de deslizamentos

Para o promotor Carlos Frederico Saturnino, da Promotoria do Meio Ambiente da capital, “o Estado deixa a população à própria sorte” ao recorrer contra as liminares. “Não se pode esperar alguém morrer para se fazer algo. É imoral, antiético, não se pode tolerar perder a vida humana por inércia”, disse ele, ao iG.

Luiz Roberto Lima/Futura Press/AE
Cabral disse que prazo para obras proposto pelo MP era impossível

O Estado argumenta que o prazo para as obras proposto pelo MP é “inexequível”. O governador Sérgio Cabral disse que “jamais o Estado recorreria das suas obrigações de realizar as obras. O problema é que foram cento e poucas ações de alguns promotores estabelecendo prazos de seis meses e se não fizesse a responsabilidade seria dos secretários, executores, como se fosse possível”.

Mapeamento começou em 2010

O programa de mapeamento foi iniciado em 2010, com o objetivo de informar os município a fim de que possam elaborar seus planos de contingência e de redução do risco de tragédias, como a ocorrida no início de 2011. Nessa ocasião, morreram cerca de mil pessoas na Região Serrana, a maior parte em Nova Friburgo e Teresópolis.

O trabalho do DRM vem sendo feito aos poucos. Nesta etapa, que acaba de ser finalizada, foram mapeados 18 municípios – oito da região Serrana, quatro do Médio Paraíba e quatro da região Centro-Sul do Estado do Rio.

Os mapas e relatórios foram entregues às prefeituras das áreas estudadas, segundo o governo. Entre os municípios analisados nesta última leva, Cantagalo (Região Serrana) é o de situação mais crítica, com 1.504 pessoas em risco iminente e 376 casas expostas.

A próxima etapa, prevista para acabar em julho, terá mais 18 municípios “com situação geológica menos problemática”.

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