Defesa Civil interdita sete casas em vila na Tijuca após forte chuva

Por O Dia | - Atualizada às

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Moradores apontam construção de um prédio ao lado como a causa do deslizamento de pedra, areia e lama. Parte do asfalto da avenida Maracanã cedeu após enchente

Sete casas da vila de número 536 da rua Carvalho Alvim, na Tijuca, zona norte do Rio, foram interditadas pela Defesa Civil após a forte chuva que atingiu a capital fluminense na noite desta terça-feira (15). Os imóveis foram inundados e invadidos por pedras, areia e lama. Muitos apresentam inclinações e rachaduras. Um deles ficou completamente destruído.

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Moradores desalojados da vila apontam a construção de um prédio na rua Barão de Mesquita - que já duraria quase uma década - como responsável pelo agravamento da situação de risco das casas nos últimos anos. A maioria deles passou a noite na casa de amigos, vizinhos e parentes. A Defesa Civil iria retornar ao local hoje para avaliar a situação.

Ônibus quebrou em área alagada e passageiros ficaram ilhados no Jacarezinho, na zona norte. Bombeiros fizeram o resgate com bote (18/01). Foto: Severino Silva / Agência O DiaGarota de 13 anos cuidava de duas crianças quando muro cedeu, em Niterói. Ela morreu no local e crianças ficaram feridas (17/01). Foto: Osvaldo Praddo/Agência O DiaGarota de 13 anos cuidava de duas crianças quando muro cedeu, em Niterói. Ela morreu no local e crianças ficaram feridas (17/01). Foto: Osvaldo Praddo / Agência O DiaLeitor do O Dia registrou alagamento na avenida Oliveira Belo, na Vila da Penha (17/01). Foto: Leitor/O DiaApós forte chuva, água tomou conta da rua Corrêa Dutra, na região do Catete (17/01). Foto: Rodrigo Berthone / Agência O DiaCasas foram danificadas após forte chuva que atingiu o Rio ontem (15); moradores acusam construção ao lado (16/01). Foto: Ale Silva/Futura PressCasas foram danificadas após forte chuva que atingiu o Rio ontem (15); moradores acusam construção ao lado (16/01) . Foto: Ale Silva/Futura PressForça da água derrubou um trecho da mureta de proteção do rio Maracanã e danificou parte do asfalto, que cedeu (16/01). Foto: Ale Silva/Futura PressCasas foram interditadas após forte chuva que atingiu o Rio ontem (15); moradores acusam construção ao lado (15/01). Foto: Osvaldo Praddo/Agência O DiaCasas foram interditadas após forte chuva que atingiu o Rio ontem (15); moradores acusam construção ao lado (15/01). Foto: Osvaldo Praddo / Agência O DiaCasas foram interditadas após forte chuva que atingiu o Rio ontem (15); moradores acusam construção ao lado (15/01). Foto: Osvaldo Praddo/Agência O DiaForça da água derrubou um trecho da mureta de proteção do rio Maracanã e danificou parte do asfalto, que cedeu (15/01). Foto: Osvaldo Praddo/Agência O DiaTáxi fica quase encoberto pela água da chuva na rua do Matoso, na Praça da Bandeira (15/01). Foto: Ernesto Carriço / Ag. O Dia Chuva causa danos em diversos pontos do Rio de Janeiro na terça-feira, Na foto, a Praça da Bandeira com ruas alagadas (15/01). Foto: O DiaTráfego congestionado por causa dos alagamentos na região central do Rio (15/01). Foto: O DiaCarro e pessoas ilhadas no centro do Rio na terça-feira (15). Foto: O Dia

Moradora de uma das duas últimas casas da vila, a doméstica Efigênia Barbosa, de 52 anos, era a imagem do desespero. Abalada, ela teve que ser medicada devido a pressão alta. O imóvel em que vive com o marido, o faxineiro José Pereira da Cruz, 51; e o do filho dela, que fica ao lado, está ameaçado pelo muro do prédio que está sendo construído na rua Barão de Mesquita.

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O muro que separa a área de lazer do grande condomínio da vila foi construída sobre rochas, segundo os moradores. Eles afirmam que a água, a lama e as pedras que atingiram as casas são conseqüencias da obra. "Estou bem, minha família está bem, mas estou triste. A gente consegue comprar uma casa com sacrifício. Aí vem um engenheiro e faz isso aí", disse Efigência, apontando o local por onde a enxurrada passou.

Mãe quase morre afogada

O auxiliar operacional Ricardo da Conceirção Pereira, de 40 anos, foi chamado às pressas para a casa da mãe, pouco abaixo do imóvel de Efigênia. A idosa de 70 anos, quase morreu afogada pela água que invadiu o imóvel e atingiu cerca de um metro de altura. A parede dos fundos ficou estufada pela pressão da água e ameaça desabar. Móveis, utensílios e eletrodomésticos ficaram espalhados dentro do ímóvel, invadida pela terra e pela lama que desceram da encosta, impedindo o acesso ao interior da casa.

Osvaldo Praddo/Agência O Dia
Moradores acreditam que construção de prédio ao lado da vila causou deslizamento de pedras

"Minha mãe é baixinha e quase se afogou. Ela reclama de dores na coluna e meu irmão, que estava com ela, está com a perna inchada. O prejuízo é muito grande. Mas, o mais importante é que a vida de todos foi preservada, Graças a Deus", agradeceu Ricardo, funcionário do Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel. Ele também fez coro e disse que a situação na vila nunca foi tão crítica após a construção da área de lazer do prédio.

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A casa do funcionário público Alex Pinheiro de Carvalho, de 38 anos, escapou de maiores danos, apesar do deslocamento do muro, devido a força da água que desceu morro abaixo. O imóvel do falecido irmão dele, porém, ficou completamente destruído. A enxurrada derrubou o muro e a água ficou represada no quintal.

Outro que viu a casa ameaçada foi o aposentado Orlando Pereira, de 57 anos. O imóvel dele apresenta grande inclinação frontal. O terreno rachou e há ameaça de desabamento. Recém-operado do coração, ele passou a noite na casa de um sobrinho.

"A construtora direcionou o escoamento de água da chuva aqui para a Rua Carvalho Alvim. Reclamamos e eles desviaram para a rua Barão de Mesquita. Os moradores de lá reclamaram e eles mudaram novamente aqui para nossa vila", descreveu Orlando.

Nenhum representante da construtora responsável pelo condomínio foi encontrado para falar sobre o assunto.Aainda de acordo com moradores da vila da rua Carvalho Alvim, a construção do prédio teve início em 2004. Desde então, ela foi paralisada algumas vezes, como na enxurrada de 2009. Várias construtoras já estiveram à frente da obra.

Asfalto cede na avenida Maracanã

Durante a madrugada, as consequências da chuva da noite de terça-feira ainda podiam ser vistas na Grande Tijuca. Na avenida Maracanã, pista sentido centro, no cruzamento com a rua Pinto de Figueiredo, na altura do 1º Batalhão de Polícia do Exército, a força da água derrubou um trecho da mureta de proteção do rio Maracanã. Parte do asfalto também cedeu. Um trecho de 30 metros está interditado ao trânsito.

*com reportagem de Marcello Victor

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