'Ninguém foge do seu destino', diz mãe de garoto morto na avenida Brasil

Por O Dia - Marcello Victor |

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Mãe de Rafael Felipe Ribeiro, de 10 anos, disse que filho não era viciado em crack e só fumava maconha. Ele foi atropelado ao fugir de agentes em uma ação contra crack no Rio

‘Ele era meu melhor amigo, estou muito triste’, lamentou X., de 14 anos, no enterro do irmão Rafael Felipe Ribeiro, 10 anos, usuário de crack que morreu atropelado na madrugada de ontem, na faixa seletiva da avenida Brasil, no Rio. A tragédia ocorreu na pista sentido centro, na altura do Parque União, Complexo da Maré, onde, diariamente, viciados em drogas perambulam e correm entre veículos na via expressa.

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Osvaldo Praddo / Agência O Dia
Amigos da vítima esperam ao lado do corpo do menino, na altura do Parque União, no Complexo da Maré


A mãe dos garotos, Renata Ribeiro, de 38 anos, negou que o filho usasse crack. “Rafael nunca se envolveu com crack. Só fazia uso de maconha. Cansei de ir atrás dele nas ruas, mas ninguém foge do seu destino. As pessoas querem me difamar. Só eu sei a dor que sinto. Perdi um filho”, se defende.

O acidente ocorreu a cerca de 500 metros de uma das maiores cracolândias da cidade. A criança e outras dezenas de viciados fugiam de operação da prefeitura para recolher usuários de crack. Rafael foi enterrado ontem à tarde no Cemitério do Caju, na zona portuária.

Entenda: Menino de 10 anos foge de agentes da PM e morre atropelado no Rio

Vizinhos da vítima na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, estavam revoltados com a mãe do menino, que também seria usuária de drogas e não cuidava dele e do irmão de 14 anos, criados pela avó Marta Marli, 58. Antes de passar mal e ser socorrida no enterro de Rafael, Marta disse que vai pedir a guarda de X.

Osvaldo Praddo / Agência O Dia
Menino teria tentado fugir de assistentes sociais e foi atropelado na av. Brasil, no Rio

O pai dos meninos também era viciado e foi morto quando Rafael tinha apenas um ano de idade.
“Está aí o retrato de uma criação sem mãe, sem carinho. Somente a avó deu atenção a esse menino. Os pais nunca deram bons exemplos a ele. Infelizmente, as drogas deram ao Rafael o mesmo destino do pai”, criticou a manicure Aline Neves, 33, amiga da avó de Rafael.

Tio de Rafael, Paulo César, 29, contou que o garoto era inteligente e carinhoso. “O Rafael era um menino adorável antes de se envolver com as drogas”, lamentou. O motorista que atropelou o garoto fugiu sem prestar socorro e está sendo procurado pela polícia, que analisa câmeras da CET-Rio para identificar o carro.

785 crianças e adolescentes recolhidos

A Prefeitura do Rio informou que, desde o dia 31 de março de 2011, quando deu início às operações conjuntas com órgãos de segurança para o combate ao crack, foram promovidas 146 ações nas principais cracolândias do município.

Ao todo, segundo o órgão, foram 6.228 acolhimentos, sendo 5.423 adultos e 785 crianças e adolescentes.

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