Médico que faltou a plantão no Rio de Janeiro será indiciado por estelionato

Por O Dia | - Atualizada às

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Delegada constatou que o neurocirurgião Adão Crespo dos Santos faltou ao trabalho durante todo o mês de novembro, mas assinou a folha de ponto com apenas uma falta neste período

A delegada Izabela Rodrigues Santoni, da Delegacia Fazendária, esteve no Hospital Salgado Filho nesta quinta-feira (10) e após verificar as folhas de ponto da unidade, decidiu que vai indiciar o neurocirurgião Adão Crespo dos Santos por estelionato contra a administração pública e falsidade ideológica. O médico faltou ao plantão na noite em que Adrielly dos Santos Vieira, de 10 anos, vítima de uma bala perdida, esperou por oito horas até ser transferida e operada em outra unidade.

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Maíra Coelho / Agência O Dia
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A delegada constatou que o médico, durante todo o mês de novembro, faltou ao trabalho, porém assinou a folha de ponto com apenas uma falta neste período. A delegada vai ouvir agora o chefe da emergência do hospital, que não comunicou as faltas do neurocirurgião lançadas no livro de ocorrências à direção do hospital, como deveria ter feito.

Crespo faltou ao plantão do Hospital Municipal Salgado Filho na noite de Natal. Por causa disso, a menina Adrielly esperou oito horas para receber atendimento. Ela morreu na última sexta-feira (04).

Nesta terça-feira, o delegado títular da 23ª DP (Méier), Luiz Archimedes, que investiga o caso afirmou que vai indiciar o neurocirurgião por omissão de socorro.

No depoimento, Lopes afirmou que, ao tomar conhecimento da gravidade do fato e da falta de um médico neurocirurgião, solicitou via fax um laudo de vaga a outro hospital que tivesse a especialização de neurocirurgia. A transferência para outro hospital, no entanto, só aconteceu oito horas depois.

Agência O Dia
Menina de 10 anos foi baleada na cabeça durante noite de Natal

O médico Mário Lapenta, responsável pela cirurgia para retirada da bala que atingiu a jovem Adrielly foi ouvido na 23ª DP (Méier) nesta segunda-feira. Em depoimento, Lapenta negou que a morte de Adrielly tenha ocorrido devido às oito horas de espera ocasionadas pela falta do plantonista Adão Crespo Rodrigues. Segundo o médico, a lesão provocada pelo disparo foi grave o suficiente para gerar o óbito, ainda que a menina fosse operada imediatamente.

Morte
A menina Adrielly, de 10 anos, morreu na tarde da última sexta-feira, no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro. Adrielly teve morte cerebral confirmada no domingo anterior.

Adrielly deu entrada no dia 26 de dezembro em estado grave na unidade, após ser transferida do Salgado Filho, no Méier, onde esperou oito horas para ser operada. Ela será enterrada neste sábado, em horário ainda não definido, no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte.

A criança havia sido atingida por uma bala perdida na comunidade Urubuzinho, em Pilares, Zona Norte do Rio, e ficou no hospital sem atendimento na noite do Natal.

O neurocirgurgião Adão Crespo Gonçalves, que estava de plantão na ocasião, faltou ao trabalho.

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