Levantamento requisitado pelo Estado do Rio identificou locais com risco iminente de deslizamentos e foi entregue a autoridades em abril de 2011. Prefeito diz que nada foi feito

O Dia

A possibilidade de deslizamento de encostas em Duque de Caxias, na Baixada, já era de conhecimento da prefeitura e do governo do estado. Levantamento requisitado pelo Departamento de Recursos Minerais do Estado do Rio de Janeiro mapeou 98 áreas de risco iminente a escorregamentos e foi entregue a autoridades em abril de 2011.

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Segundo o relatório, da empresa de consultoria de Geologia e Estudos Ambientais Regea, no distrito de Xerém, o mais prejudicado pelas chuvas, havia em 2011 nove áreas sob risco e cerca de 174 pessoas ameaçadas. Quarenta e cinco moradias poderiam ser afetadas.

O prefeito de Caxias, Alexandre Cardoso, disse que soube da existência do estudo quando era secretário estadual de Ciência e Tecnologia, mas que nada, na prática, foi feito em relação a ele. Professor de Geografia da rede pública de Caxias, André Tenreiro disse que o estudo iria ser utilizado no material escolar das aulas, mas que um funcionário, a mando do prefeito anterior, Zito, pediu que fosse mantido em sigilo.

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Ainda segundo André, o tenente-coronel José Ronaldo dos Reis, comandante da Defesa Civil municipal à época, foi exonerado do cargo dois dias depois de ter disponibilizado o estudo para a Secretaria de Educação. Reis, em seu blog, afirma que o relatório foi entregue pessoalmente ao vice-prefeito Jorge Amoreli, da gestão anterior, por representantes do Estado, em sua presença, pouco antes de sua saída do governo.

R$ 5 mil para cada família

Verba poupada na prevenção será gasta na recuperação após a tragédia. Na visita do governador Sérgio Cabral e do ministro de Integração Nacional, Fernando Bezerra, a Xerém, foi anunciado o benefício de R$ 5 mil a cada uma das 300 famílias que perderam tudo na enxurrada. O valor será usado para a compra de móveis, eletrodomésticos e utensílios.

“O estado será responsável pela recuperação das margens dos rios”, informou o prefeito Alexandre Cardozo. Os prazos para pagamentos do IPVA e ICMS serão prorrogados por seis meses nas áreas afetadas. Com o governo federal, ficará a tarefa de iniciar os trâmites para o aluguel social dos desabrigados, a dragagem e drenagem das ruas e auxílio na reconstrução de pontes.

“Vamos tirar os volumes das ruas, coletar lixo, desobstruir galerias e dar mobilidade à região. Depois vamos limpar tudo e orçar as verbas indenizatórias”, disse Cardoso.

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