Distrito de Duque de Caxias foi o mais atingido pelas chuvas. Risco de deslizamento de terras nas cidades de Teresópolis e Petrópolis ainda preocupam autoridades

Agência Brasil

No dia seguinte ao temporal que arrasou boa parte de Xerém (distrito de Duque de Caxias), os moradores se dedicam à limpeza das casas atingidas pela chuva e pela cheia do rio Capivari, que carregou praticamente tudo o que estava na frente, durante a madrugada de ontem (3).

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A maioria passou as últimas 24 horas quase sem dormir, tentando reorganizar o que restou de suas vidas. A aposentada Adelir Chagas Macedo, viúva há poucos meses, não quer mais voltar para a casa, atingida pela correnteza. “A casa está estalando, pode desabar. Tenho medo de voltar ali”, disse ela, que morava a 5 metros do rio. “Agora eu não tenho mais nada. Perdi sapatos, roupas, tudo”, lamentou Adelir.

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No mesmo terreno, mora seu filho Rogério Chagas Macedo, que a acordou quando a água já estava com mais de 1 metro de altura. “Nunca vi nada igual em 25 anos que moro aqui. O rio virou um mar”, contou ele, que trabalha como impermeabilizador.

No imóvel ao lado, a dona de casa Monique dos Santos Freitas tentava tirar com uma vassoura a água e a lama que tomaram conta de tudo. Apesar de ter perdido parte dos móveis e dos aparelhos eletrônicos, ela não reclamou da sorte: “Estamos bem. Tem pessoas em pior condição. Vamos batalhar e correr atrás do prejuízo.”

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O vizinho Natanael Anunciação da Costa, que trabalha como servente de obras, perdeu praticamente tudo o que havia dentro de casa, quando o rio arrancou uma das paredes e levou tudo correnteza abaixo. No interior do imóvel, só restou um guarda-roupas e o carrinho do filho mais novo, de 3 meses de idade, além de um monte de areia. “Tenho que reconstruir a vida. Não sei nem como. Mas tenho que reconstruir.”

Região Serrana em alerta

Os municípios de Teresópolis e Petrópolis, na região serrana do Rio, continuam em estado de alerta. Em entrevista à Rádio Nacional, o prefeito de Petrópolis, Rubens Bomtempo, informou hoje (4) que cerca de 30 pessoas ainda estão desalojadas em casas de parentes e que o serviço de engenharia da prefeitura está fazendo o laudo técnico para saber se houve perda total ou parcial dos imóveis dos moradores.

"Com a diminuição da chuva e a queda de temperatura, tenho a esperança de que nós conseguiremos melhorar a limpeza da cidade, que estava cheia de lixo, uma situação bem similar à de Caxias [município da Baixada Fluminense] ", acrescentou Bomtempo.

Em Teresópolis, mesmo com a diminuição da chuva, o risco de deslizamentos na cidade também preocupa as autoridades. De acordo com o último boletim da Defesa Civil, divulgado hoje (4), 50 pessoas estão desalojadas. Não houve registros de ocorrências na noite de ontem (3) nem na madrugada desta sexta-feira.

Treze moradores da Ilha do Caxangá, no bairro do Caxangá, foram encaminhados para um ponto de apoio da prefeitura, após a queda de uma árvore. Além do bairro Caxangá, sete áreas permanecem em estado de atenção: Santa Cecília, Vale da Revolta, Fonte Santa e Quinta Lebrão, assim como as comunidades do Rosário, Pimentel e Perpétuo, no bairro de São Pedro, onde os agentes fazem vistorias para confirmar o número de desabrigados.

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