Modelo do novo bondinho de Santa Teresa será conhecido em fevereiro

Bairro do Rio de Janeiro está sem os tradicionais bondes desde agosto de 2011, quando um acidente matou seis pessoas e deixou 50 feridas

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Agência Brasil

O novo modelo de bonde que voltara às ruas de Santa Teresa será conhecido em fevereiro. Em cerca de dois meses, o protótipo dos 14 bondes será apresentado pela empresa T-Trans aos órgãos responsáveis pela preservação das características originais do bondinho, como o Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan).

Acidente:  Bonde tomba e deixa mortos e feridos em Santa Teresa, no Rio

Tânia Rêgo/ABr
Empregados da empresa T-Trans retiram a carcaça de um bonde da oficina localizada em Santa Teresa

A informação é do presidente da Companhia Estadual de Engenharia de Transporte e Logística (Central), Eduardo Macedo, que é o responsável pela revitalização do sistema de bondes, feita pela empresa que ganhou a licitação. A previsão é que as primeiras unidades sejam entregues em 2014, quando os trilhos e toda a rede aérea no bairro tiver sido substituída.

O projeto de reforma dos bondinhos, é questionado pela Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (Amast). A polêmica é a descaracterização dos veículos, que por mais de um século transportaram turistas e moradores. Os novos bondes terão capacidade de transportar metade dos passageiros que os antigos transportavam, com a inclusão de uma placa de policarbonato para impedir que pessoas viajem no estribo.

“A proteção que vamos incluir é por uma questão de segurança, uma camada de policarbonato translúcido, com estribo retrátil (para embarque e desembarque), mas que não afeta em nada o layout”, afirmou Macedo, ao citar o acidente em que um turista viajando no estribo, caiu dos Arcos da Lapa e morreu. Nos últimos dez anos, no entanto, segundo a Amast, este é o único acidente do tipo e poderia ter sido evitado com a recuperação do gradil nos arcos.

Com o fim do estribo fixo, entra um corredor para facilitar a locomoção dos passageiros dentro do bonde, o que representará a redução de 40 para 24 lugares. Com isso, a Amast avalia que o veículo perde o caráter de transporte público de massa, para atender a população em deslocamentos cotidianos, porque as vagas serão insuficientes diante da demanda.

“Bondinho com policarbonato em volta, estribo reversível, porta na frente, porta atrás, corredor no meio e capacidade reduzida é bondinho descaracterizado”, afirmou o diretor de Transporte da Amast, Jacques Schwarzstein. Ele desconfia que o bonde será turístico.

Para não criar obstáculos à modernização do sistema e “em prol da segurança”, o Iphan não incluiu trilhos ou carros no tombamento do trajeto do bonde. O tombamento do órgão estadual, o Instituto Estadual do Patrimônio Estadual (Inepac), que também precisa aprovar o protótipo da T-Trans, protegeu de alterações todo o sistema, inclusive as oficinas.

Tânia Rêgo/ABr
Placa em homenagem às vítimas do acidente que resultou em seis mortes e 50 feridos e marcou a suspensão do trânsito dos bondinhos de Santa Teresa

Outra preocupação é com a funcionalidade do bonde. A T-Trans, que fez a reforma dos bondes em 2005, entregou modelos que ficaram conhecidos como Frankestein, por não se adaptarem às ladeiras de Santa Teresa e travarem nas curvas. Os carros ganharam modernização na parte elétrica, mas em contrapartida ficaram mais baixos e com dificuldade de deslizar sobre os trilhos.

O bairro está sem os bondes desde agosto de 2011, quando um acidente matou seis pessoas (cinco no dia e uma depois) e deixou 50 feridas . Os ônibus fazem o serviço de transporte público, mas são constantemente alvo de reclamações. Em novembro, um deles bateu próximo ao local do acidente do bonde.

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