Acusados de matar juíza usavam orelhão em unidade prisional para ‘negócios’

Gravações telefônicas mostram as regalias dos PMs durante as investigações sobre a morte da juíza Patrícia Acioli

O Dia | - Atualizada às

Ocupado pelo Batalhão do Choque, tropa de elite da PM, para acabar com as regalias dos presos, o passado da Unidade Prisional, antigo BEP, é negro. O DIA teve acesso a gravações telefônicas — autorizadas pela Justiça — durante as investigações sobre a morte da juíza Patrícia Acioli, que os acusados usavam até um telefone público livremente de dentro da unidade para continuar comandando seus ‘negócios’.

Movimentação em conta bancária de R$ 30 mil, pagamento de advogados de R$ 60 mil, além de contas de motéis, atenção com a amante que queria fazer suposto aborto e festa regada a bacalhau. Essas eram as preocupação do tenente PM Daniel Benitez no BEP, em setembro do ano passado.

Um mês antes, a ação do policial chocava a sociedade. Ele e dez militares são acusados do assassinato de Patrícia, com 21 tiros, em Niterói. Um deles Sérgio da Costa Júnior foi condenado a 21 anos de prisão. Três vão a júri popular em 29 de janeiro, sete ainda não tem data de julgamento.

Leia mais:  Promotor compara defensor de PM a advogados do goleiro Bruno

Para fechar o cerco aos criminosos da juíza, a Delegacia de Homicídios grampeou o orelhão. O monitoramentode Benitez e do cabo Jefferson Araújo, outro acusado da morte da magistrada, incluiu os celulares dos militares. Eles e Sérgio da Costa Júnior tiveram a prisão decretada por Patrícia Acioli, em 11 de agosto por causa da morte de Diego Beliene, no morro do Salgueiro, São Gonçalo, 3 de junho de 2011. Ela foi morta após a decisão.

O desprezo pelo Bep foi flagrado em conversa de Benitez com a mulher, Carolina, por telefone, dia 20 de agosto de 2011. “Isso aqui. É a coisa mais fácil que tem de fugir do mundo. É que ninguém quer”, desdenhou. Á época, ele foi transferido para Bangu 8, e depois para presídio de Campo Grande (MS), onde está o ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo) Claudio Oliveira, acusado da morte de Patrícia. Os réus do crime serviam no batalhão.

PMs eram do ‘Bonde dos Neuróticos’
Enquanto as investigações do caso Patrícia não eram concluídas, parte do grupo de policiais continuava a saga de crimes nas ruas. Gravações telefônicas revelam que o PM Júnior Cezar de Medeiros, outro acusado da morte da juíza, teria sequestrado o traficante Wanderson Sobreira Pereira, 27 anos, o Nito, dia 11 de setembro 2011.

Nervosa, a mãe de Nito liga para advogada dizendo que o ‘Bonde dos Neuróticos’ tinham feito o sequestro. Ela é orientada ir à polícia. Há um mês, Nito foi preso pela PM com armas e drogas.

(Com reportagem de Adriana Cruz) 

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG