MP denuncia 13 pessoas por roubo e interceptação de documentos históricos

Acusados estavam envolvidos em leilão que seria realizado, no Rio, com peças do acervo do Arquivo Nacional, do Itamaraty, da Fundação Biblioteca Nacional e do Arquivo da Cidade

O Dia |

O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro denunciou nesta terça-feira (18) 13 envolvidos na prática do crime de receptação de bens públicos furtados do acervo do Arquivo Nacional, do Itamaraty, da Fundação Biblioteca Nacional e do Arquivo da Cidade.

Leia também: Leilão de bens do tráfico de drogas tem arrecadação recorde

Os acusados estavam envolvidos no chamado “Leilão Colecionismo”, que seria realizado no dia 18 de maio de 2006 na rua Frei Caneca, no centro do Rio, com peças do acervo das instituições. A denúncia sobre a ilegalidade do leilão foi feita por funcionários do Arquivo Nacional e do Itamaraty.

Dos 13 denunciados pelo MPF, 11 seriam os falsos proprietários dos bens a serem leiloados e dois praticavam a atividade comercial. Durante a investigação, o MPF concluiu que os dois comerciantes sabiam que as peças apreendidas eram roubadas, uma vez que possuíam experiência no ramo e, caso tivessem dúvida quanto à legalidade dos objetos, deveriam não ter aceitado expor à venda o material.

Penas
As penas para os acusados podem chegar a quatro anos de prisão para as 11 pessoas que diziam ser os donos das obras públicas, além de multa, enquanto os dois comerciantes podem ser condenados a até oito anos.

No decorrer do inquérito, diversas diligências foram realizadas para identificar a procedência das peças apreendidas do leilão, principalmente a partir de ofícios encaminhados às instituições públicas com questionamentos sobre a existência de alguma pertencente aos seus respectivos acervos, dentre as peças apreendidas.

Apesar de algumas obras terem sido identificadas com êxito, outras não puderam ter sua exata procedência confirmada por terem sofrido lavagens e desfolhamentos. Segundo o MPF, ficou claro que os autores dos furtos ocultaram com facilidade a identificação das peças, prejudicando, em parte, a investigação.

Dentre os bens públicos apreendidos, havia fotografias que retratavam momentos históricos, documentos públicos firmados por autoridades, como o Barão de Rio do Branco, postais fotográficos e livros dos séculos 16 e 18. Segundo a denúncia, os investigados sabiam do valor histórico das peças, e buscando lucros com suas vendas, adquiriram-nas e pretenderam comercializá-las novamente, mesmo sabendo que eram produto de crime.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG