PM do Rio decide aposentar fuzis após pacificação de comunidades da zona sul

Mais de 270 fuzis que eram usados no patrulhamento em asfalto foram trocados por armas não-letais, como pistolas de choque. Centro e Tijuca serão os próximos

O Dia |

A pacificação em comunidades da zona sul, do centro e da Grande Tijuca levou a Polícia Militar a uma decisão: substituir os fuzis usados por PMs no patrulhamento no asfalto por pistolas taser (armas de choque). Até agora, 273 fuzis foram trocados pelas armas não-letais e mais 992 delas também foram distribuídas. A ideia é dar condições para que os policiais usem a força progressivamente: primeiro, advertência; depois, arma não-letal (gás de pimenta e taser); e, por último, se necessário, o uso da arma de fogo (pistola PT 40). 

Mais:  Tranquilidade e apreensão no 1º dia de ocupação de Manguinhos e Jacarezinho

Ernesto Carriço / Agência O Dia
PM decidiu trocar fuzis por considerar o uso desnecessário em áreas com comunidades pacificadas

A substituição está sendo gradativa e começou pelos batalhões da zona sul — 2º BPM (Botafogo), 19º BPM (Copacabana) e 23º BPM (Leblon), onde comunidades como Cantagalo, Pavão-Pavãozinho, Dona Marta, Rocinha e Vidigal receberam Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Em seguida será a vez do 5º BPM (Praça da Harmonia), responsável pelo policiamento no Centro, e o 6º BPM (Tijuca), que engloba a Tijuca e a Grande Tijuca (Grajaú, Vila Isabel e Andaraí). O projeto é a longo prazo, segundo a Polícia Militar, e depois será estendido para o policiamento do restante da zona norte, onde houver comunidades pacificadas.

Leia mais:  Policiais e traficantes se confrontam na zona norte do Rio

“Locais onde não há confronto com fuzil não precisam mais de policiamento com fuzil. Hoje, no entorno destas áreas pacificadas, o fuzil não é mais necessário. Afinal, agora a PM está realmente dentro das comunidades e com efetivo compatível com a missão de ocupar e pacificar as comunidades”, comentou o comandante-geral da PM, coronel Erir Ribeiro.

UPP da Rocinha:  'A polícia veio para ficar', diz Cabral durante inauguração

A decisão da PM agradou associações de moradores. “A ostensividade dos policiais era grotesca. Quando a gente via um PM nas ruas armado até os dentes, tinha a impressão de estar em estado de guerra, mesmo que velada. Antes, havia explicação para o uso de fuzil pela polícia, mas com a pacificação, isso não se justifica mais”, disse Evelyn Rosenzweig, presidente da Associação de Moradores e Amigos (AMA) do Leblon. Mário Colombo, que representa entidade da Tijuca, resumiu: “A visão dos policiais com fuzis era uma agressão a todos”.

Especialistas aprovam nova estratégia de armamento

Pesquisadores na área de segurança pública também aprovaram a medida. Segundo o sociólogo Ignácio Cano, a decisão foi muito importante. “Do ponto de vista objetivo, diminui o risco para a população ao deixar uma área sem fuzil. Do ponto de vista simbólico, desmonta a mentalidade da guerra. Há uma resistência dos policias, porque eles acham necessário portar fuzil, mas não é. Esse processo já devia ter começado há mais tempo e espero que se expanda por todo o Rio de Janeiro”, opinou Ignácio Cano.

Para Paulo Roberto Storani, mestre em Antropologia, o uso do fuzil não tem mais empregabilidade no cenário atual. “Já existe ambiente favorável para que se repense a estratégia de armamento usado. Vai haver resistência dos policiais, mas a medida é o início de um processo. Creio que, por questões táticas, a PM tenha começado a substituição do fuzil no patrulhamento do asfalto, mas depois vá estendê-la ao policiamento nas comunidades pacificadas”, apostou Storani.

*por Hilka Telles

    Leia tudo sobre: pacificaçãoriouppzona sul do riocantagalovidigalrocinha

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG