Estudante é morto em Cordovil e família acusa PM de falha em abordagem

Rafael Costa da Silva, de 17, foi atingido por tiro de fuzil no pescoço, dentro do carro da mãe. Policiais dispararam após confundir o estouro do pneu com explosão e ação criminosa

O Dia |

Reprodução/Facebook
Rafael Costa da Silva, de 17 anos, morto após ser baleado no pescoço pela PM

O estudante Rafael Costa da Silva, de 17 anos, morreu após ser baleado quando dirigia o carro da mãe, na Estrada Porto Novo, em Cordovil, na zona norte, no início da noite de domingo (28). A família acusa policiais do 16º BPM (Olaria) de metralharem o veículo onde estavam outros quatro jovens, - dois irmãos e dois amigos da vítima -, falha na abordagem, de tentar mudar a cena do crime retirando o projétil de fuzil do pescoço do jovem e socorrê-lo já sem vida para um hospital. Um dos amigos também foi baleado.

De acordo com o advogado da família, Marcelo Branco, dois PMs que teriam confessado na Divisão de Homicídios (DH) ter feito os disparos contra o veículo, já estão presos administrativamente.

O principal objetivo da família é juntar o máximo de provas materiais que possam provar a inocência dos jovens e comprovar a ação desastrosa dos PMs. Ele não descartou a hipótese de processar o Estado. A Polícia Militar, a DH e a Secretaria de Segurança Pública ainda não se pronunciaram sobre o caso.

Segundo o pai de Rafael, o motorista da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Valmir Miguel da Silva, de 53 anos, a mãe do rapaz havia emprestado o Fiat Idea para que ele fosse da Penha Circular, onde morava, visitar os irmãos paternos Raunir e Róbson Fernandes da Silva, de 17 e 19 anos, respectivamente, no bairro vizinho de Cordovil. O segundo é soldado do Exército.

Pai acusa PMs de covardia

Ainda de acordo com Valmir, os três irmãos e os amigos, identificados apenas como Rafael e Felipe, seguiram para um encontro com as namoradas. Na Estrada do Porto Velho, em Cordovil, o pneu do carro dos jovens estourou após passar por um buraco. PMs em duas patamos do 16º BPM que passavam pelo local teriam se assustado e confundido o estrondo com uma explosão. Um dos veículos fechou a via e policiais em outra começaram a atirar. O carro dos jovens então bateu em um outro veículo que estava estacionado na rua.

Fábio Gonçalves / Agência O Dia
Robson ( esquerda) e Raunir (direita) são irmãos da vítima e estavam no carro. No centro, o pai


O pai contou que o carro da esposa, dirigido por Rafael, era azul marinho e tinha os vidros escuros. Ele acusou os PMs de tentar socorrer o filho já morto e tentar localizar a cápsula antes dos peritos. "O carro foi furado a tiros por todos os lados. Os outros quatro poderiam ter morrido. O que eles fizeram foi uma covardia", protestou Valmir, após prestar depoimento da Divisão de Homicídios (DH), na Barra da Tijuca, Zona Oeste, na madrugada desta segunda-feira.

"O PM tentou tirar a bala de fuzil do pescoço do menino. Impedi que meu filho fosse socorrido, como eles queriam. Ele já estava morto", disse emocionado o pai de Rafael. De acordo com o motorista, por sorte o projétil foi achado por ele no chão. Segundo ele, o cartucho e o nome dos policiais que estavam nas duas viaturas foram anotados e entregues à DH.

A versão é endossada por Róbson, irmão de Rafael, que fez críticas veementes a ação da PM. "Não lembro de nada, só ouvi os tiros. Sai do carro e me identifiquei como militar do Exército. Os outros também saíram e fomos obrigados a deitar no chão. Vi um policial mexendo no meu irmão baleado dentro do carro. Eles encostaram a viatura para socorrê-lo. Aí eu disse: meu irmão não vai na caçapa não. Ele não é bandido. A população também não deixou que tirassem ele do carro", relatou.

Os irmãos de Rafael que estavam no carro também foram ouvidos na unidade. Eles nada sofreram. Ainda não há informações sobre os paradeiros do jovem identificado apenas como Felipe. Ele estava no carro e foi ferido por um tiro de raspão no ombro. O advogado Marcelo Branco disse que ele foi socorrido pelo pai, mas não há informações sobre seu estado de saúde e a unidade de saúde para onde foi levado. O outro amigo, também de nome Rafael, nada sofreu.

Jovem iria começar curso para bombeiro

Valmir também contou que no local um dos policiais pelo telefone avisava a seu interlocutor que caso alguém questionasse o que teria ocorrido, a informação que deveria se passada era de uma troca de tiros. O pai de Rafael acredita que o militar estivesse em contato com a sala de operações do 16º BPM ou com algum colega da unidade. Ele também se disse vítima da ironia dos PMs. Um deles, identificado por ele como sargento Rodrigues e o motorista de uma das duas viaturas, riram e debocharam da situação.

Róbson contou que o irmão ia começar um curso com o sonho de se tornar bombeiro. A mães dele já estaria juntando dinheiro para financiar os estudos dele. "Eles (PMs) não atiraram nem pro alto. Já vieram com fuzil pra cima. A primeira providência era abordar e pedir pra gente se identificar", concluiu.

O advogado Marcelo Branco informou que o delegado responsável pelo caso acredita que os PMs tenham se precipitado e feito uma abordagem errada ao veículo. Não teria havia ordem para parar e um abordagem de praxe, tendo só sido feitos os disparos. Marcelo afirmou ainda que não era realizada uma blitz no momento.

*reportagem de Marcello Victor

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