Operação retira usuários de crack das margens da avenida Brasil

Sessenta e três pessoas foram recolhidas pelos assistentes sociais. Todos foram encaminhados para abrigos no Rio de Janeiro

O Dia |

A Secretaria Municipal de Assistência Social, com o apoio da Polícia Militar, realizou na manhã desta quarta-feira uma operação às margens da avenida Brasil, na altura do Parque União, para retirada de usuários de crack. Sessenta e três pessoas foram recolhidas pelos agentes, sendo três delas adolescentes.

Leia também:  Eduardo Paes quer internação compulsória de viciados no Rio

A operação teve início às 7h30 e contou com o apoio do 22º BPM (Benfica) e da DCAV. Houve princípio de tumulto na chegada das equipes e muitos fugiram do local. Alguns se rebatiam durante a abordagem para não entrarem na van. Todos os acolhidos serão encaminhados para as unidades de abrigamento da Rede de Proteção Social do município.

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Viciados em crack se drogam e ficam sob viaduto da Av. Brasil que dá acesso à Ilha do Governador

O grupo ficava escondido atrás dos tapumes das obras do BRT Transcarioca, entre adultos, crianças e adolescentes. O lugar foi ocupado desde a ocupação do Complexo de Maguinhos e da favela do Jacarezinho por forças de segurança.

Internação compulsória

O prefeito Eduardo Paes anunciou nesta segunda-feira, no Jacarezinho, que adultos viciados em crack também serão internados compulsoriamente (contra a vontade). A medida já é adotada com crianças e adolescentes. Sobre a decisão, o prefeito disse que dependentes químicos não têm condições de tomar decisões .

Alessandro Costa / Agência O Dia
Ação nas ruas de Madureira recolheu 31 dependentes de crack na quinta-feira

“É um desafio. Eu sou totalmente a favor (da internação compulsória) para o sujeito que está correndo risco de vida, completamente desorientado”, disse Paes. O próprio prefeito reconhece a falta de estrutura adequada para dar conta de tantas internações forçadas. 

"Vamos abrir 600 novas vagas para a internação compulsória. Primeiro, um estudo vai ser realizado sobre onde essas unidades devem ser instaldas. O que está decidido não é como vai ser feito e sim a decisão política. Eu como prefeito, decidi que o município do Rio vai ter internação compulsória de maiores de idade. A partir de agora as secretaria de Saúde e Assistência Sociual vão elaborar um projeto de como vai ser esse recolhimento", salientou Paes.

O prefeito disse ainda que não considera a medida algo reclusivo. "Acho que os dependentes químicos não têm condições de se ajudar e é preciso que alguém faça algo por eles. Não posso assistir as pessoas se destruírem de camarote. Por isso, pretendo começar ainda este ano e fazer o que for preciso. Se tiver que reformar os centros, vamos fazer. Se tiver que construir prédios novos, vamos fazer", finalizou.

Falta de leitos

A internação compulsória de adultos viciados em crack poderia ajudar no combate à proliferação e a migração de usuários da droga na cidade. Mas alguns especialistas contrários à medida criticam a prefeitura pela falta de leitos e unidades de tratamento.

“Temos que ampliar a rede e sua qualidade. Mas estamos fazendo nossa parte, pois há três anos o governo municipal não tratava de crack”, argumentou. O município tem quatro Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) para internação de adultos drogados, com 538 vagas ocupadas.

O Estado não tem clínica. As duas conveniadas, com 180 vagas, estão sem contrato desde 19 de agosto. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, novo convênio com clínicas está em fase de tramitação.

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