Deputado acusado de agredir advogada está proibido de se aproximar dela

Laudo do IML comprovou 20 marcas de violência espalhadas pelo corpo de Christine Calixto. Ela denunciou o deputado estadual Samuel Júnior como autor das agressões

O Dia |

Laudo do Instituto Médico-Legal (IML) revelou que a advogada Christine Calixto, de 40 anos, tem 20 marcas de agressão espalhadas pelo corpo, dez só na cabeça. Ela acusa o deputado estadual Samuel Correa da Rocha Júnior, o Samuquinha (PR), de tê-la agredido por ciúmes no barco dele , no Iate Clube Jardim Guanabara, na Ilha do Governador,  no dia 13.

A denúncia foi publicada pelo O Dia na segunda-feira (22) com exclusividade. Pelo fato de o parlamentar ter foro privilegiado, a investigação da Polícia Civil foi enviada, nesta segunda-feira à tarde, ao procurador-geral de Justiça, Cláudio Lopes, e à Assembleia Legislativa (Alerj).

O caso: Deputado estadual é acusado de agredir advogada no Rio

Ernesto Carriço / Agência O Dia
Uma vez ele me mordeu. Fiquei chateada. Ele disse que era para me marcar', disse Christine


“Tanto o deputado quanto a vítima serão convocados a prestar depoimento. No entanto, ele pode marcar dia, hora e lugar para ser ouvido”, explicou Cláudio Lopes. Não está descartada a hipótese de outras pessoas serem ouvidas, como dois seguranças do clube que teriam retirado Christine do barco do deputado.

“Só registrei o caso na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e na 37ª DP (Ilha do Governador) porque era o correto a ser feito. Mas sei que não vai dar em nada”, desabafou Christine. No domingo, o parlamentar alegou que sequer conhece a mulher. Procurado nesta segunda pela reportagem, ele não foi localizado até o fechamento da edição.

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Em dez dias de investigação, a 37ª DP e a Deam, do Centro, onde o caso foi registrado, pediram à Justiça medidas protetivas para Christine, como proibição de o deputado chegar perto dela e de familiares ou qualquer tipo de contato.  Os agentes pediram ainda que Samuquinha não frequente uma conhecida boate na Barra da Tijuca, casa ou local de trabalho da vítima. Os agentes querem ainda que o porte de arma do parlamentar seja suspenso ou restrito e que Samuquinha devolva as roupas de Christine que estariam no barco dele.

De acordo com o corregedor da Alerj, Comte Bittencourt (PPS), a casa ainda vai aguardar os rumos da investigação no Ministério Publico. “O procedimento da polícia vai para a mesa-diretora. Mas, por enquanto, vou esperar para emitir opinião”, alegou Comte.

Festa de policial

Horas antes de ser agredida, Christine contou que estava vivendo um sonho. “Ele me pediu em casamento. Disse que iríamos nos casar no religioso, que é meu sonho. Jamais podia imaginar que aquela noite terminaria assim”, disse ela, que conheceu Samuquinha em julho num churrasco de aniversário da delegada Adriana Belém, na Barra.

Ela confirmou que o deputado estava na sua festa, mas que não se lembra de ter visto Christine. A advogada contou que Samuquinha disse a ela que não era casado. “Íamos passar o fim de semana no barco. Levei roupas de presente para ele, maquiagem e roupas para mim. Ficou tudo no barco. Ele não me devolveu nada”, contou Christine.

Se forem comprovadas as acusações, o deputado responderá por lesão corporal com base na Lei Maria da Penha. A pena é de três meses a três anos de detenção. Caso contrário, Christine pode ser responsabilizada por falsa acusação, denunciação caluniosa e injúria. As penas variam de três meses a oito anos de prisão.

*reportagem de Adriana Cruz e Maria Inez Magalhães

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