Um ano depois de explosão, prédio no centro do Rio continua interditado

As 150 salas comerciais do prédio estão sem água, sem luz e interditadas

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Um ano depois da explosão do restaurante Filé Carioca , no centro do Rio de Janeiro, que ocupava o andar térreo do Edifício Riqueza, os moradores cobram agilidade por parte das autoridades para que possam entrar no prédio e retomar a rotina. 

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No dia 13 de outubro de 2011, uma explosão causada por um escapamento de gás causou a morte de quatro pessoas e deixou 16 feridas. As 150 salas comerciais do prédio estão sem água, sem luz e interditadas. O uso de qualquer tipo de armazenamento de gás no local era proibido, mas os bombeiros encontram no restaurante cilindros industriais.

O Papai Noel Enok Pinheiro explica que a sala onde funcionava a Escola de Papai Noel não oferece segurança para o trabalho. “Estamos protestando para tentar reabrir a nossa casa, tendo que nos reunir na rua. Nossa sala está quebrada, não tem como vir, não há segurança”.

De acordo com ele, o prédio todo está interditado, apesar de haver movimento em alguns andares. “A nossa casa é aqui e estamos impedidos de entrar, pagando imposto, IPTU, tudo que tem direito, sem poder usar, tá tudo quebrado. O prédio está interditado, ninguém sai e ninguém entra, mas tem gente morando precariamente aí”.

Cristiane Garcia trabalhava em um salão no prédio e diz que ficou dois meses sem emprego, depois da explosão. Além disso, ela denuncia que não recebeu nenhum benefício dos seguros que tinha.

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“Eu tinha duas seguradoras particulares e até agora não me pagaram nada. Eles exigem uma nota de obra dentro das salas para fazer o pagamento. Mas como vou fazer obra nas salas se a gente não pode utilizar o prédio? Exigem coisas que não tem como a gente fazer. Pedem um documento, você entrega, passa 30 dias e eles pedem outro documento e por aí vai. Nessa paralisação eu fiquei até agora sem receber nada”.

Divulgação
Alunos do curso de formação de Papai Noel protestam em frente ao Edifício Riqueza

Segundo Cristiane, além das perdas com a própria explosão, as salas foram arrombadas e furtadas.

“A gente já está com outro local para trabalhar, mas o prédio aqui, até agora nada. Tem gente que tinha movimento de R$ 1 mil, R$ 1,5 mil por dia e agora está dentro de casa. Nem nosso material a gente conseguiu tirar. Do segundo andar eu ainda tirei, mas e do décimo andar? Como vou tirar material, balcão, sem elevador? E o responsável pelo restaurante até agora nada, não deu nada para ele”. De acordo com ela, o prédio já recebeu o seguro, mas a obra está totalmente paralisada.

O síndico do edifício, José Carlos Nascimento, informou que as obras de estrutura estão quase concluídas. “Até o fim do ano, no máximo, acho que as obras estarão prontas e os condôminos poderão voltar a utilizar suas salas”, acrescentou.

O subsecretário da Defesa Civil municipal, Márcio Motta, explicou que a administração do edifício é responsável pela obra. “Fomos nós que interditamos o edifício, mas já existe um responsável técnico pela obra, designado pelo síndico e essa responsabilidade já não nos compete”, informou.

O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), Agostinho Guerreiro, informou que a lei permite ao Crea apenas fazer a fiscalização do exercício profissional. “Não fiscalizamos as obras em si, infelizmente. A Defesa Civil não precisa acompanhar se existe uma empresa responsável pela obra, mas qualquer cidadão pode solicitar a fiscalização do Poder Público se perceber alguma rachadura ou irregularidade em qualquer obra”, comentou.

A assessoria de comunicação da prefeitura informou que o prefeito Eduardo Paes enviou em abril à Câmara o Projeto de Lei Nº 1.356/2012, que propõe isenção da taxa do IPTU e de Coleta Domiciliar deste ano para todos os imóveis do Edifício Riqueza. Segundo a prefeitura, o valor da renúncia será proximadamente R$ 86 mil.

O projeto já recebeu parecer positivo da Comissão de Justiça e Redação, de Administração e Assuntos Ligados ao Servidor Público e está agora na Comissão de Assuntos Urbanos. O texto ainda precisa ser aprovado pela Comissão de Finanças, Orçamento e Fiscalização Financeira para ir a plenário. O processo sobre a explosão do restaurante tramita na 19ª Vara Criminal do Rio. Ao todo, dez réus estão sendo julgados.

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